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As primeiras informações sobre a detenção de Ahmadinejad vieram no sábado, dia 7 de janeiro, do jornal diário independente Al-Quds Al-Arabi, empresa pan-árabe fundada por palestinos exilados e baseada desde 1989, em Londres, Inglaterra. Aos poucos, confirmações e detalhes do acontecimento estão sendo noticiados pelos principais jornais internacionais.

O motivo da prisão teria sido os comentários feitos pelo ex-presidente do Irã durante um protesto, em 28 de dezembro, na cidade de Bushehr, oeste do país. Ele teria criticado o regime iraniano e o atual presidente Hassan Rouhani. Sua detenção teria acontecido recentemente, durante uma visita a sua a cidade de Shiraz, sudoeste do Irã.

Discurso pode ter motivado a prisão

De acordo com relatos citando 'fontes de Teerã', Ahmadinejad teria dito que “Alguns líderes atuais vivem separados dos problemas e preocupações do povo, e não sabem nada sobre a realidade da sociedade”. Também teria acusado o governo de ‘má administração’ e criticado Rouhani por acreditar que “eles são os proprietários da terra e o povo é uma sociedade ignorante”.

Acusado de ‘incitar a violência’, o ex-presidente do Irã foi preso enquanto milhares de pessoas tomaram as ruas do país [VIDEO] para protestar contra o governo e a alta no preço dos alimentos. Os Protestos duraram uma semana, resultando em 22 mortos e centenas (talvez milhares) de cidadãos presos.

Manifestações pró-governo seguiram até o anúncio feito pela Guarda Revolucionária de que havia acabado com os protestos, listando como causadores Estados Unidos, Inglaterra e Israel.

Protestos foram brutalmente reprimidos

Não havia manifestações populares tão massivas no Irã desde 2009, quando grandes números de pessoas foram às ruas protestar exatamente contra a reeleição de Ahmadinejad, que foi presidente do país persa entre os anos de 2005 e 2013, acusando o resultado de fraude.

As demonstrações da última semana de dezembro, que começaram contra o aumento dos preços de alimentos e eventualmente tornou-se contra os clérigos governantes e a falta de apoio do governo à classe trabalhadora iraniana, espalharam-se pelo país e foram violentamente reprimidos.

“O povo revolucionário do Irã, juntamente com dezenas de milhares de forças Basij, polícia e o Ministério da Inteligência, derrubou as correntes (de agitação)”, segundo comunicado da Guarda.

Manifestantes em diversos países realizaram demonstrações contra o governo do Irã

Centenas de iranianos protestaram em cidades da Europa como Londres, Paris, Berlim e Estocolmo. No centro de Paris, mais de 400 pessoas se reuniram e outras centenas foram ao Portão de Brandemburgo, em Berlim, com bandeiras iranianas, cartazes e tambores pedindo mudança de governo no Irã.

Em Teerã, a aparente volta da normalidade fica ameaçada com as notícias da prisão de Mahmoud Ahmadinejad.