Em menos de uma semana, as forças armadas da Turquia que intervieram no norte da síria já deixaram mais de 100 vítimas fatais durante a operação “Ramo de Oliveira”.

De acordo com levantamento do Observatório Sírio dos Direitos Humanos (SOHR, em sua sigla em inglês), entre sábado (20) e hoje (26), foram mortas 118 pessoas devido aos enfrentamentos entre as forças turcas e os combatentes curdos e seus aliados pelo controle da cidade de Afrin, na província de Aleppo, no norte da Síria.

Entre os mortos, segundo a ONG sediada em Londres, estão 58 guerrilheiros de facções rebeldes e islâmicas, 53 combatentes da Unidade de Proteção do Povo (YPG) e sete militares turcos – outros sete têm o paradeiro desconhecido.

O YPG é um grupo guerrilheiro curdo da Síria, principal membro das Forças Democráticas Sírias (FSD), organização opositora que tenta manter sob seu controle uma parte da região norte do país, buscando a independência em relação a Damasco.

A Turquia considera o grupo um perigo para sua segurança e sua unidade nacional, uma vez que a região conhecida como o Curdistão sírio faz fronteira com a Turquia e existem grupos armados de curdos turcos que também buscam se separar de Ancara.

Operação Ramo de Oliveira

Por isso o governo do presidente turco Recep Tayyip Erdogan decidiu invadir militarmente o norte da Síria no último dia 20 e destruir as organizações curdas da região.

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Curiosidades

Essas organizações, entretanto, têm o apoio dos EUA, que instalaram bases militares no local e estão treinando ao menos 30 mil milicianos curdos – dos quais muitos são ex-terroristas – na “Força de Segurança da Fronteira”, criada pelos instrutores americanos.

Essas contradições entre interesses de EUA e Turquia têm feito os ex-aliados (os dois maiores exércitos da OTAN) combaterem em lados distintos nessa nova fase da guerra na Síria.

No início da guerra, a nação turca ajudava os EUA e outros membros da OTAN e monarquias do Golfo no auxílio a guerrilheiros opositores ao governo do presidente sírio Bashar al-Assad, incluindo grupos terroristas. Pela Turquia, entraram combatentes e armamentos provenientes desses países.

Contudo, o controle curdo apoiado pelos EUA no norte da Síria se tornou uma ameaça à unidade nacional da Turquia, que agora se voltou contra o Pentágono.

“Os EUA agora admitem que estão criando um exército terrorista ao longo de nossa fronteira; o que temos que fazer é acabar com esse exército antes que nasça”, declarou Erdogan quando Washington anunciou a formação da Força de Segurança da Fronteira.

Intervenção ilegal

Tanto a recente invasão da Turquia como a intervenção militar dos EUA não contam com a permissão do governo da Síria. Ambas as ações têm sido denunciadas e condenadas por Damasco como uma violação de sua soberania nacional.

De fato, as intervenções unilaterais de EUA e Turquia vão contra a Carta das Nações Unidas e o Direito Internacional.

Por sua vez, a Rússia – principal aliada da Síria nesta guerra – não tem agido na prática para conter o avanço turco no norte do país, embora o presidente russo, Vladimir Putin, tenha prometido defender seu aliado de qualquer invasão. Entretanto, Moscou tem enfatizado que a instalação de bases militares e a permanência dos EUA em solo sírio é ilegal. Os EUA justificam sua ação alegando que o Estado Islâmico ainda não foi derrotado completamente, embora o presidente americano, Donald Trump, tenha declarado hoje (26) em Davos que sua coalizão “retomou quase 100% do território” controlado pelo grupo terrorista.

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