O ex-ministro da Defesa e general de brigada do exército do Irã, Ahmad Vahidi, denunciou que os EUA estão transportando terroristas do Estado Islâmico que combatiam na Síria e no Iraque para o Afeganistão.

“Os países ocidentais apoiaram o Daesh [VIDEO] (Estado Islâmico) para tentar evitar sua derrota no Iraque e na Síria e após a derrota estão transportando-os para o Afeganistão e a Ásia Central”, declarou neste sábado (27) o representante iraniano, segundo a agência de notícias Prensa Latina.

Ele afirmou que as potências ocidentais transportam os terroristas para a província de Herat, no noroeste do Afeganistão – próxima à fronteira com o Irã –, de onde são encaminhados para outras regiões.

Estimativas apontam que existem cerca de dez mil guerrilheiros do Estado Islâmico no Afeganistão, cuja maioria combateu na Síria [VIDEO] e no Iraque.

Mais indícios

Em dezembro, o Ministério de Relações Exteriores da Rússia declarou que “combatentes estrangeiros” foram os responsáveis pelo atentado terrorista em uma região do norte do Afeganistão, e que eles haviam sido transportados para o país em “helicópteros desconhecidos”. No mesmo comunicado, o Kremlin acusou EUA e a OTAN de fazerem vistas grossas para essas operações extremistas.

Segundo analistas estrangeiros e especialistas afegãos, os EUA estão envolvidos no deslocamento de terroristas da Síria e do Iraque para o Afeganistão e, em estreita ligação a isso, em operações clandestinas de comércio de heroína do país asiático.

O Afeganistão produz 93% de todo o ópio do mundo.

Essa “indústria” é responsável por mais da metade de seu Produto Interno Bruto (PIB). A heroína afegã é exportada para o mundo inteiro, especialmente para a Europa e a Rússia. Mas seu principal destino são os EUA.

A ocupação militar estadunidense sobre o Afeganistão após o 11 de setembro de 2001, apesar da retórica e dos alegados gastos (U$ 8,4 bilhões) no combate ao tráfico de drogas, não foi capaz de desbaratar esse mercado. Pelo contrário: segundo a Pesquisa Sobre o Ópio Afegão, entre 2001 e 2016 a produção da droga aumentou em 25 vezes.

De acordo com o analista de política internacional Pepe Escobar, o principal ator envolvido no tráfico mundial de heroína proveniente do Afeganistão é a Agência Central de Inteligência dos EUA (CIA). Já o historiador e pesquisador norte-americano Alfred McCoy escreve que o ópio “surgiu como força estratégica no meio político afegão por parte da CIA para financiar suas atividades e se manteve até os dias de hoje”.

E essas atividades de tráfico de heroína por parte da CIA no Afeganistão estariam umbilicalmente ligadas às operações dos grupos terroristas. Em artigo publicado no site da agência noticiosa Sputnik News, Escobar cita uma fonte da inteligência do Paquistão que afirma que “a CIA tem trazido seus protegidos da al-Qaeda-Daesh [Estado Islâmico] para dentro do Afeganistão para justificar as tropas americanas adicionais”.