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De acordo com informações divulgadas pelos sites Siberian Times e Mail Online, um vilarejo na Rússia [VIDEO] está passando por uma onda de frio [VIDEO] tão intensa que as temperaturas locais estão despencando abaixo dos 60 graus Celsius negativos, algo praticamente inimaginável para nós brasileiros – até mesmo para as pessoas que vivem na região Sul.

No mês de janeiro (época de inverno no Hemisfério Norte), a remota vila de Oymyakon, situada na região da Sibéria, costuma apresentar uma temperatura média de - 50 °C. Isso já é gelado o bastante para que os cílios dos corajosos habitantes locais – cerca de 500 pessoas residem no povoamento – congelem instantes depois que eles saem para as ruas, mas, recentemente, as condições atmosféricas pioraram ainda mais.

Em 2017, foi instalado um termômetro digital no vilarejo – que é considerado o assentamento humano permanente mais frio do mundo – para que os frequentadores do mercado de Oymyakon e os turistas pudessem verificar o quão gélida a atmosfera se encontrava diariamente. Entretanto, até mesmo o aparelho não resistiu ao clima glacial recente e quebrou no domingo (14), quando atingiu - 62 °C.

Moradores registraram ainda mais frio

Segundo dados revelados pela estação meteorológica local, a temperatura mais baixa registrada oficialmente em Oymyakon no ano de 2018 foi de 59 graus Celsius abaixo de zero. Contudo, os moradores da vila que possuem termômetros em suas propriedades afirmaram que obtiveram leituras bem inferiores as aferidas pela agência climática, chegaram a inacreditáveis - 67 °C (temperatura semelhante a do recorde oficial do povoamento, que em fevereiro de 1933 atingiu - 67,7 °C).

Mesmo com todo este frio, alguns turistas chineses resolveram tomar um banho em uma fonte termal da localidade chamada Yeyemu, que era comumente usada por pastores de renas nas décadas de 1920 e 1930, os quais conduziam seus rebanhos até o manancial para que os animais se reidratassem – aliás, Oymyakon recebeu este nome justamente por causa da fonte: a palavra significa "a água que não congela".

Acompanhe o ato dos turistas orientais:

Desafios diários

Como o(a) leitor(a) certamente já deve ter imaginado, não é nada fácil viver em Oymyakon. O cotidiano dos moradores apresenta uma série de desafios.

Diariamente, os habitantes do vilarejo sofrem com problemas com os quais as pessoas que vivem em locais mais quentes nem "sonham": Canetas não funcionam porque sua tinta endurece e se solidifica, óculos congelam e grudam no rosto, baterias perdem carga rapidamente, carros precisam ficar ligados o dia todo (se forem desligados, pode ser que o motor se encha de gelo e pare de funcionar), entre outros.

Até mesmo enterrar os mortos é uma complicação: como o solo fica permanentemente congelado, é preciso acender fogueiras em sua superfície para que ele derreta e amoleça um pouco, de forma que apenas alguns centímetros de material possam ser escavados por vez. Assim que o fogo fica em brasas, um pouco da terra é removida, uma nova fogueira é acesa no mesmo lugar, e o processo é repetido por vários dias até que haja profundidade suficiente para enterrar um caixão.