Foi a partir de uma conversa com a canoísta e produtora Katie McPherson que esta expedição começou a tomar forma. Katie me chamou para fazer um documentário com ela. Quando descobri que se tratava de um projeto Médico social, logo abandonei minha função televisiva e me ofereci para ajudar a somar forças para atender a população de Zanskar.

A Katie me colocou em contato com a Valerie, que fundou a organização "Hands On Global", uma pessoa do bem, que dedicou sua vida as causas nobres e a lutar pelo mundo que acredita. Atualmente, ela é responsável por organizar essas expedições voluntárias. Formamos um grupo pelo Instituto Dharma com profissionais da saúde voluntários que iriam somar forças com o grupo americano, de diversas especialidades.

A situação de saúde nessa região é muito grave. Eles estão realmente isolados, o acesso a tratamentos e hospitais leva pelo menos dois dias por uma estrada bem difícil.

A maior parte da população fica completamente incomunicável e sem qualquer assistência durante os longos oito meses de inverno porque a estrada congela e o único acesso, que seria o aéreo, é restrito ao exército indiano, já que estamos em uma das zonas de conflito mais famosas do mundo.

Quando vemos pessoas neste tipo de situação, não meço esforços para poder contribuir e ajudá-las de alguma forma. Atendemos no "Dalai Lama Hospital", localizado em Zanskar, considerado pelos próprios locais "o fim do mundo". Foram cinco dias de viagem apenas para chegar ao vilarejo em Padum, na região da Caxemira, entre a Índia e o Paquistão.

Como toda viagem desse tipo, tivemos alguns imprevistos. Dois dos carros acabaram quebrando no meio do caminho e, por não termos outros meios de transporte, então, somente muito depois, após soldar e arrumar as partes quebradas, pudemos retomar viagem. Mas são esses empecilhos que também nos trazem oportunidades de apreciar a incrível vista das montanhas ou entrar na casa dos locais para tomar chá e mergulhar mais na cultura local.

Outro ponto de parada em nossa viagem foi uma stupa, um monumento budista que tem os princípios da sua construção na cultura e sabedoria milenar do budismo tibetano. As práticas realizadas em uma stupa tem o mesmo efeito de uma oferenda direta ao Buda. Em volta, muitas prayers flags, que, através do vento, levam as orações e pedidos das pessoas que ali passaram para o mundo. Pedidos de paz, harmonia levados pelo vento, abençoando os que as penduram. Visitar um lugar assim nos recarrega, nos reconecta com a natureza e com nosso espírito e traz muita paz.

Ao final de nossa viagem, recebemos mais uma benção, fomos chamados conhecer o 14ª Dalai Lama, que nos recebeu em sua residência para nos agradecer pessoalmente pelo nosso trabalhos naqueles últimos dias.

Foram muitos atendimentos, horas de trabalho, muitas historias, muito aprendizado.

Nunca é fácil, mas sempre vale a pena. Recebemos muito mais que doamos. E cada pessoa que foi com a gente tinha o mesmo propósito: realizar algo em prol do próximo, mostrar que a gente se importa e que o bem e o que é bom ainda vencem a luta!