A Rússia condenou nesta quarta-feira (31) as constantes pressões contra a Venezuela provenientes de alguns governos da América Latina, inspiradas “a partir do norte”, em uma clara referência à influência dos EUA sobre os países do continente.

“Lamentavelmente constatamos que continua a campanha antivenezuelana na América Latina, inspirada a partir do norte, que aumenta a animosidade entre as partes em conflito e desestabiliza a situação no país”, declarou em uma coletiva de imprensa a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova.

“Consideramos inadmissíveis as tentativas de interferir nos assuntos internos [VIDEO] da Venezuela”, disse a funcionária russa, citada pela agência de notícias Sputnik.

Maduro denuncia pressões externas

Ontem (30), o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, também havia denunciado tentativas dos EUA de interferirem [VIDEO] nas negociações do governo com a oposição.

“Neste momento há uma pressão inaudita do Departamento de Estado dos EUA para destruir os diálogos de paz na República Dominicana”, afirmou, durante coletiva de imprensa.

“Tenho dados, tenho provas concretas de como o Departamento de Estado do Governo dos EUA está pressionando toda a oposição venezuelana para que não assine o acordo dialogado e pré-acordado há mais de uma semana […] para sabotar o processo eleitoral da Venezuela”, denunciou Maduro.

Na semana passada a porta-voz do Departamento de Estado, Heather Nauert, emitiu uma declaração chamando de “antidemocráticas e ilegítimas” as eleições presidenciais convocadas recentemente pela Assembleia Nacional Constituinte da Venezuela para antes do final de abril.

O país sul-americano considerou tal discurso uma afronta a sua soberania nacional e no dia seguinte respondeu em um comunicado oficial que essa “intromissão nos assuntos internos da Venezuela faz parte da campanha sistemática do governo estadunidense” e é uma “flagrante violação das normas básicas do direito internacional”.

No mesmo comunicado, Caracas acusou a Agência Central de Inteligência dos EUA (CIA) de desestabilizar a Venezuela. Recentemente, o diretor do órgão, Mike Pence, admitiu que a agência trabalhou para pressionar medidas do governo dos EUA a fim de impor sanções e embargos econômicos à nação caribenha.

A Venezuela também denuncia que Óscar Pérez, piloto morto há duas semanas após ficar meses foragido, tinha vínculos com a CIA para executar ações terroristas. O militar bombardeou edifícios públicos no ano passado e liderava treinamentos e operações clandestinas.

Diálogo

O governo da Venezuela e a oposição têm se reunido desde a semana passada na República Dominicana para alcançar um acordo político de paz e convivência democrática.

Segundo dirigentes do governo, os diálogos têm sido frutíferos e as partes concordaram na maioria dos assuntos abordados, tanto políticos como econômicos.

Na sua coletiva de imprensa, Maduro enfatizou a necessidade das conversas permanentes e reiterou que deseja que todos os problemas políticos do país se resolvam através do diálogo.