O porta-voz da Presidência da Rússia, Dmitry Peskov, denunciou nesta segunda-feira (29) que os Estados Unidos estariam tentando influenciar as eleições presidenciais de seu país, que ocorrerão em março desde ano. Segundo ele, o “Relatório Kremlin”, que deverá ser entregue hoje ao Congresso dos EUA, “é uma tentativa direta e óbvia de realizar algumas ações para as eleições a fim de exercer influência”.

“Nós não concordamos com isso e estamos convencidos de que não exercerá nenhuma influência” nas eleições russas, disse Peskov, citado pela agência de notícias russa Tass.

Relatório Kremlin’

A administração americana deverá submeter nesta segunda-feira um relatório sobre a alegada relação de oficiais, políticos e grandes empresários com autoridades da Rússia, conhecido como “Relatório Kremlin”.

O documento traz uma análise minuciosa de uma lista de pessoas que supostamente teriam trabalhado com a Rússia para interferir nas eleições presidenciais dos EUA de 2016, que levaram Donald Trump [VIDEO] ao cargo mais importante do país.

Caso o relatório seja considerado como uma importante evidência da interferência da Rússia para influenciar a política dos EUA [VIDEO], ele poderá ser uma base de apoio para novas sanções de Washington a indivíduos e empresas de setores estratégicos da Rússia, bem como a serviços especiais do país eurasiático, segundo a Tass.

“Nós precisaremos ver e analisar quais ações adicionais ocorrerão após a publicação [do relatório]”, afirmou o porta-voz do Kremlin. “Todas essas ações irão, obviamente, ser analisadas em Moscou para que nossos interesses e os interesses de nossas companhias sejam assegurados o máximo possível em qualquer caso”, completou Peskov.

No dia 11 de janeiro já havia sido divulgado um relatório sobre a suposta influência da Rússia na política dos EUA e da Europa elaborado por senadores do Partido Democrata. Na ocasião, o Kremlin já havia repudiado as conclusões do relatório, que culpou o presidente russo, Vladimir Putin, por um “assalto implacável para minar a democracia e o estado de direito na Europa e nos EUA”.

Peskov chamou tais acusações de “absolutamente infundadas” e disse que “essas preocupações paranoicas não só prejudicam as relações bilaterais, mas também os próprios EUA”.

Eleições russas

O porta-voz do Kremlin disse ainda nesta segunda-feira que Putin não tem nenhum rival à altura que possa lhe vencer nas eleições presidenciais da Rússia. “O nível de popularidade de Putin vai além das fronteiras da Rússia. Dificilmente alguém pode questionar a liderança absoluta de Putin na opinião pública”, declarou Peskov.

“Putin tem repetidamente confirmado sua inquestionável liderança e continua a fazê-lo”, completou. Suas palavras foram uma clara referência às manifestações de domingo (28) contra o governo de Putin, lideradas pelo opositor Alexei Navalny. O Kremlin acusa o ativista de ter estreitas ligações com potências ocidentais, especialmente os EUA, para tentar desestabilizar o governo de Putin.