O Senado dos Estados Unidos rejeitou neste sábado, dia 20, um projeto para a extensão provisória do orçamento do governo liderado pelo presidente Donald Trump [VIDEO]. A decisão foi tomada após votação que terminou com placar de 50 votos a favor e 49 contra. Para que o projeto fosse aprovado, seriam necessários 60 votos favoráveis. Com a decisão dos parlamentares norte-americanos, o governo inicia uma paralisação de parte de suas atividades por falta de fundos. As informações foram veiculadas pelo portal G1 e pelo jornal The Guardian.

Chamado de “shutdow” pelos norte-americanos, o “apagão” obrigará o governo a paralisar temporariamente as atividades de escritórios e serviços públicos considerados não essenciais.

Os funcionários permanecerão sem trabalhar até que a situação orçamentária seja normalizada. Além disso, outros importantes orgãos do governo – como a Casa Branca, o Departamento de Estado, o FBI e o Pentágono, entre outros – terão suas atividades reduzidas para contenção de gastos financiados pela máquina pública.

Durante a sexta-feira, dia 19, Donald Trump [VIDEO] e o líder do partido repúblicano no senado, Mitch McConnel, tentaram negociar com a oposição em Washington. Trump chegou a receber o líder dos Democratas no Senado, Chuck Schumer, para chegar a um acordo, que não foi atingido. O projeto provisório do governo previa que o orçamento fosse extendido por mais quatro semanas. Para tentar aprovar a medida, McConnel tentou reduzir a extensão orçamentária para três semanas, mas a oposição não concordou.

Antes do início da votação, Donald Trump utilizou seu Twitter para se manifestar sobre a então iminente derrota, e atacou os democratas.

“As coisas não parecem boas para a nossa ótima defesa de segurança militar na perigosíssima fronteira do sul. Os democratas querem um apagão para diminuir o grande sucesso dos cortes fiscais, e o quanto isso está contribuindo para nossa economia em expansão”, escreveu o presidente norte-americano em sua conta na rede social.

Depois da votação, os senadores voltam a se reunir para discutir a fragilizada situação orçamentária do país ao meio dia deste sábado. Para entrar em um consenso com o governo, os democratas querem que Trump reveja suas posições sobre política migratória, em especial nos casos relacionados aos jovens imigrantes conhecidos como “Sonhadores” (Dreamers, em inglês).

A paralisação iniciada neste sábado coincide com o período de um ano desde que Donald Trump assumiu o governo norte-americano. A situação é uma das principais crises políticas entre as diversas situações controversas enfrentadas pelo polêmico presidente desde que assumiu o cargo.

Depois da oficialização do “apagão”, à meia-noite deste sábado, a Casa Branca emitiu uma nota afirmando que não irá negociar a situação dos “Sonhadores” com os democratas.

"Não negociaremos a situação dos imigrantes ilegais, enquanto os democratas mantêm nossos cidadãos legais reféns das suas irresponsáveis exigências”, afirmou o comunicado do governo. “Este é um comportamento de perdedores obstrucionistas, não de legisladores”, completou a nota.

Após a derrota no senado, Trump decidiu cancelar a viagem que faria a seu resort na Flórida para permanecer na Casa Branca, onde deve continuar recebendo aliados e oposicionistas para tentar costurar um acordo que permita cancelar o “apagão” e normalizar os serviços do país.

A última paralisação orçamentária dos Estados Unidos havia ocorrido em 2013, durante o governo do democrata Barack Obama, quando 800 mil funcionários públicos foram afetados durante 16 dias.