Foram juramentados no último domingo (28), em Kiev, mais de 600 membros dos recém-criados “Esquadrões Nacionais”, ligados aos Corpos Nacionais, organização criada em 2016 por ex-membros do Batalhão Azov – regimento de extrema-direita da Guarda Nacional da Ucrânia.

Em uma rede social, a nova força paramilitar diz que foi criada para “garantir a ordem nas ruas das cidades ucranianas” e não hesitará em “recorrer [ao uso da] força para estabelecer a ordem” nos locais públicos.

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Os “Esquadrões Nacionais” serão livres para patrulhar as ruas em cooperação com a polícia ou por conta própria.

Segundo a Agência de Notícias do Donbass, o financiamento dessa força paramilitar é atribuído a doações de empresários e a maioria de seus membros participou de crimes de guerra no Donbass [VIDEO] – região separatista do leste da Ucrânia, que declarou independência em 2014 e desde então está em guerra com o governo de Kiev.

Seu líder é Igor Mikhailenko, membro da cúpula dirigente do Batalhão Azov – denunciado criminalmente na Rússia [VIDEO] por crimes de guerra e violações de direitos humanos.

Em suas redes sociais, a nova força paramilitar divulga palavras, fotos e vídeos exaltando o espírito ultranacionalista ucraniano, sentimento de ódio e xenofobia e comportamento agressivo e ultraconservador.

Ascensão da extrema-direita

Os grupos neonazistas, que se propagaram pela Ucrânia desde o golpe de Estado de fevereiro de 2014, têm pressionado o governo para obter mais concessões.

O governo ucraniano, presidido pela direita e recheado por membros da extrema-direita, tem aprovado leis de reformas educacionais e fim de banir qualquer influência russa na língua e na cultura do país – o que é considerado uma repressão aos direitos da numerosa minoria russa no país.

O ensino de história também tem sido preocupantemente modificado para satanizar o passado soviético e os russos e glorificar colaboradores da Alemanha nazista, quando esta invadiu e ocupou territória ucraniano durante a Segunda Guerra Mundial. Também existem muitos casos de ensino de ideias racistas e supremacistas para as crianças ucranianas e os meios de comunicação têm seguido a mesma linha.

Além disso, neonazistas andam com certa liberdade por todo o oeste da Ucrânia, incluindo por Kiev, e têm amplo acesso a armas de fogo. Muitos dos soldados que combatem na linha de frente no Donbass também pertencem a organizações neonazistas ou são simpatizantes da extrema-direita.