Entre 20 de novembro de 2017 e 31 de janeiro deste ano, 1,17 milhão de petições de cidadãos afegãos foram coletadas e enviadas ao Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia (Holanda), denunciando os EUA, o Afeganistão e grupos terroristas por terem cometido crimes de guerra após a invasão americana [VIDEO], em 2001.

Podem haver milhões de afegãos representados nas petições e organizações que enviaram denúncias ao TPI, segundo afirmou à agência Associated Press (AP) o ativista Abdul Wadood Pedram, da Organização para os Direitos Humanos e a Erradicação da Violência.

Ele disse que muitas das representações incluem denúncias envolvendo diversas vítimas que podem ter sofrido ataques suicidas a bomba, assassinatos programados ou bombardeios aéreos.

As acusações são direcionadas ao Talibã, Estado Islâmico, Forças de Segurança do Afeganistão e seus chefes militares, à coalizão liderada pelos EUA e agências de espionagem nacionais e estrangeiras, como a Agência Central de Inteligência (CIA) norte-americana.

Para Fatou Bensouda, procuradora do TPI, existem evidências de crimes de guerra cometidos por grupos terroristas [VIDEO] e pelas forças de segurança e de inteligência afegãs, bem como por militares dos EUA e agentes da CIA, em instalações secretas dentro e fora do Afeganistão.

Em declarações à AP, ela mostrou preocupação pelos EUA obstaculizarem a possível investigação. Washington não é signatário do Estatuto de Roma (tratado que estabeleceu o TPI) desde que George W. Bush retirou a adesão efetuada por seu antecessor, Bill Clinton.

O republicano – responsável pela invasão dos EUA ao Afeganistão, em 2001 – alegou que cidadãos americanos poderiam sofrer processos injustos motivados por razões políticas.

Mas cidadãos estadunidenses poderiam ser acusados de crimes cometidos em países membros do Tribunal, como é o caso do Afeganistão, que aderiu à corte em 2003.

De acordo com a agência, o Departamento de Defesa dos EUA (Pentágono) declarou publicamente que não aceitará a autorização de investigação de pessoal dos EUA. Por sua vez, o Departamento de Estado é ainda mais radical e se opõe ao envolvimento da corte no Afeganistão.

Ataques dos EUA

Nos últimos quatro anos houve mais de 10 mil vítimas civis por ano devido à guerra no Afeganistão. Em 2017, mais de 3,4 mil civis foram mortos e mais de 7 mil ficaram feridos em meio ao conflito, que não foi solucionado como os EUA prometeram ao invadirem o país com a desculpa de combater o Terrorismo.

Esses dados, apresentados na última quinta-feira (15) num relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), mostram que a situação piorou. O número de vítimas de ataques aéreos dos EUA e do governo afegão aumentou em relação ao ano anterior, respondendo por 6% das vítimas civis (295 mortos e 336 feridos), reporta a rede de notícias alemã Deutsche Welle.