O ministro de Relações Exteriores da República Popular Democrática da Coreia, Ri Yong Ho, enviou nessa quarta-feira (31) uma carta ao secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Antônio Guterres. Na correspondência, divulgada nesta quinta-feira (1ª) pela Agência Central de Notícias da Coreia (do Norte), o funcionário do governo demonstrou a preocupação de seu país sobre “perigosos movimentos militares emergentes” por parte dos Estados Unidos, que poderiam arruinar a atual tentativa de reaproximação entre Coreia do Norte e Coreia do Sul.

Ri afirmou que os EUA estão tentando convencer o mundo de que o recém-iniciado processo de diálogo intercoreano seria fruto das pressões militares e sanções econômicas impostas à Pyongyang. Ele denunciou que Washington está “buscando agravar intencionalmente a situação” ao introduzir na região armas estratégicas, inclusive com capacidade nuclear.

Em 2017, os EUA instalaram na Coreia do Sul o sistema antimísseis THAAD e realizaram diversos exercícios militares próximos à fronteira com o Norte. Em novembro e dezembro, novas manobras preocuparam o governo de Kim Jong-un.

No último mês do ano, 230 aviões e 12 mil soldados participaram de simulações de guerra contra a Coreia do Norte.

O Pentágono mantém unidades aéreas, marítimas e do Exército na Península Coreana e arredores, assim como aviões e navios capazes de transportar mísseis e armamento nuclear. Segundo o ministro norte-coreano, tais ameaças podem bloquear o processo de diálogo entre as duas Coreias e gerar uma nova situação de perigos e tensões.

Ele ainda denunciou os planos dos EUA de realizar novos exercícios militares na península após os Jogos Olímpicos de Inverno, que ocorrerão este mês na Coreia do Sul. A ONU, de acordo com Ri, deveria agir para impedir tais manobras americanas, a fim de garantir a continuidade das conversações de paz e reaproximação intercoreana.

“Em caso de que a atmosfera favorável para melhorar as relações intercoreanas e diminuir as tensões, que têm sido alcançadas com muito custo, seja enfraquecida devido às manobras dos EUA para agravar a situação ao introduzirem equipamento de guerra nuclear dentro e ao redor da Península Coreana– os EUA nunca escaparão de tal responsabilidade”, afirmou o ministro.

Reaproximação

A Coreia do Norte e Coreia do Sul voltaram a estabelecer contatos de alto nível no final de 2017, após dois anos de tensões agravadas. Desde a mensagem de Ano Novo de Kim Jong-un, quebrando o gelo na tensão, as duas partes têm alcançado alguns acordos, principalmente o que permite a participação da Coreia do Norte nas Olimpíadas de Inverno.

Pyongyang enviará uma delegação com atletas, que competirão em algumas modalidades. Eventos culturais com presença de artistas do país também estão sendo promovidos na Coreia do Sul.

Além disso, elas desfilarão juntas na cerimônia de abertura dos Jogos, que ocorrerão na cidade de Pyeongchang entre 9 e 25 de fevereiro.

Uma equipe feminina conjunta também disputará a competição olímpica de hóquei no gelo.

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