O Departamento de Tesouro dos Estados Unidos está preparando um novo pacote de sanções contra a Rússia, afirmou nesta quarta-feira (14) o secretário de Tesouro norte-americano, Stephen Mnuchin. Em declarações difundidas pela agência de notícias russa Tass, o funcionário estadunidense disse que está trabalhando na aplicação de sanções contra “oligarcas e líderes do governo” da Rússia.

Essas sanções são um desdobramento da publicação da “lista do Kremlin” [VIDEO], divulgada no final de janeiro. Segundo Mnuchin, a publicação da lista “foi a fase número um”, um prelúdio para a aplicação de novas sanções contra Moscou.

Ele revelou que o documento tem uma seção classificada e acrescentou: “Nós estamos trabalhando ativamente [para implementar] sanções à Rússia”, informa o jornal norte-americano The Hill.

'Lista do Kremlin'

O Congresso dos EUA divulgou, no dia 29 de janeiro, um relatório com informações sobre 114 políticos e 96 empresários da Rússia que teriam se reunido com funcionários estadunidenses para, supostamente, interferir no resultado da eleição presidencial de 2016, em que Donald Trump foi eleito presidente do país.

Aparentemente, a lista foi publicada com a própria finalidade de impor novas sanções à Rússia. Ela é uma base de apoio para a aplicação de sanções a indivíduos e empresas russas de setores estratégicos, caso o governo dos EUA considere que ela traz importantes evidências da ingerência do Kremlin nas eleições americanas.

De acordo com outra agência de notícias russa, a RIA Novosti, citada pelo site do jornal Izvestia, Mnuchin também declarou que tem o aval de Trump para anunciar novas sanções à Rússia.

“Eu informei ao presidente sobre o processo de imposição de sanções, ele aprovou novas sanções […] O presidente delegou a mim o dever de impor sanções contra a Federação Russa [...] E eu lhe asseguro, haverá novas sanções contra a Rússia”, cita o Izvestia, atribuindo a frase ao secretário do Tesouro dos Estados Unidos.

A Rússia sempre negou a suposta interferência nas eleições dos EUA e na política americana, declarando que não há provas de seu envolvimento. Nesta quarta-feira, o porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, voltou a reiterar a posição do Kremlin a esse respeito.

“A Rússia não intervém nos assuntos internos de nenhum país, ela não está intervindo nelas nesse momento e não tem planos para fazê-lo no futuro”, defendeu o funcionário, segundo a Tass. “Somos muito críticos às tentativas de outros de se intrometerem em nossos assuntos internos e nunca fazemos isso com os outros”, completou, ao mesmo tempo em que criticou a política externa dos EUA [VIDEO].

Outras sanções

No mesmo dia, a porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Heather Nauert, confirmou que seu país irá manter as sanções contra a Rússia referentes à crise e à guerra na Ucrânia, três anos após a assinatura dos Acordos de Minsk para uma solução ao conflito.

Segundo ela, as sanções “continuarão vigentes” enquanto Moscou não cumprir os acordos. Como relata a agência Xinhua, o mesmo vale para as sanções referentes à anexação da Crimeia, reincorporada à Rússia após um referendo não reconhecido pelo governo de Kiev e pelos EUA.

Por sua vez, a União Europeia não engrossará essas medidas punitivas dos EUA, segundo declarações do embaixador do bloco na Rússia, Markus Ederer, ao jornal russo Kommersant, noticiadas pelo Izvestia.