O prestigiado jornal norte-americano “The New York Times” noticiou neste sábado (17) que o famoso opositor russo Alexei Navalny, forte crítico do presidente Vladimir Putin, recebeu financiamento de órgãos ligados ao governo dos EUA.

Em reportagem sobre a interferência da Rússia nas eleições dos EUA e, por sua vez, a influência de Washington em processos políticos por todo o mundo, o diário afirma que o Fundo Nacional para a Democracia (NED, na sigla em inglês), entidade financiada pelo governo dos EUA, “fez doações anos atrás para Alexei Navalny”.

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A reportagem cita um arquivo do NED, onde consta que, em 2016, o órgão fez 108 doações para organizações russas a fim de “contratar ativistas” e “promover o engajamento cívico”.

O montante total do financiamento chegou a 6,8 milhões de dólares. Suspeita-se que um dos destinatários tenha sido Navalny, uma vez que o fundo norte-americano não informou os nomes dos receptores.

Nos últimos anos uma estratégia do governo dos EUA é utilizar organizações financiadas por dinheiro público e ligadas politicamente à Casa Branca, ao Pentágono ou à Agência Central de Inteligência (CIA) [VIDEO] para auxiliar membros da sociedade civil de outros países a implementarem “mudanças de regime” – derrocando governos não-alinhados por meio de campanhas desestabilizadores ou vencendo eleições.

Algumas dessas entidades estadunidenses com penetração ao redor do mundo são o próprio NED, o Instituto Nacional Democrata, o Instituto Republicano Internacional e a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID, na sigla em inglês).

Muitas entidades desse tipo são proibidas na Rússia, cujas leis são rigorosas contra a intromissão de agentes de potências estrangeiras em sua política interna.

Outras interferências

O New York Times recorda ainda que, em 1996, os EUA temiam a derrota do então presidente Boris Yeltsin, um dos líderes políticos que ajudaram a acabar com a União Soviética, para a oposição, encabeçada pelo Partido Comunista russo. Então, Bill Clinton, presidente americano à época, pressionou o Fundo Monetário Internacional (FMI) a emprestar 10 bilhões de dólares e a enviar um grupo de conselheiros para o governo Yeltsin, apenas quatro meses antes das eleições.

Já sobre a suposta interferência russa nas eleições presidenciais de 2016 nos EUA, o renomado estudioso de assuntos de inteligência e antigo membro do Comitê do Senado para investigações sobre a CIA, Loch K. Johnson, disse ao jornal que Washington “tem feito esse tipo de coisa desde que a CIA foi criada em 1947”.

Arquivos desclassificados e investigações demonstraram que os EUA patrocinaram candidatos em diversos países do mundo e apoiaram golpes de Estado em muitos outros, especialmente na América Latina [VIDEO], Ásia e África.

“Eu presumo que eles estão usando várias táticas antigas, porque, você sabe, isso nunca muda”, disse ao Times o ex-funcionário da CIA, William J. Daugherty, que trabalhou na revisão de operações encobertas. “A tecnologia pode mudar, mas os objetivos não”, completou.