Os EUA estão reforçando sua presença militar na Colômbia e no Panamá desde o início deste ano, o que ligou o sinal de alerta para o governo da Venezuela.

Já no dia 2 de janeiro, membros da Força Aérea dos EUA começaram a desembarcar no Panamá como parte dos 415 efetivos que ficarão no país durante a primeira metade deste ano.

De acordo com nota do Movimento Alternativa Popular (MAP) do Panamá, veiculada pelo portal The Panama News, a embaixada dos EUA no país centro-americano solicitou a realização de exercícios militares, batizados de “Novos Horizontes”, em dezembro. O governo panamenho aceitou a proposta no dia 4 de janeiro, mas as tropas estadunidenses já haviam chegado dois dias antes.

Segundo o canal HispanTV, o representante do Comando Sul dos EUA no Panamá, Ramon Malavé, justificou a ação afirmando que serão realizados somente “exercícios de assistência humanitária”, o que contradiz com a versão do Ministério de Relações Exteriores do Panamá, que disse que essas manobras militares são “um programa de treinamento dirigido aos setores de segurança nacionais”.

“Aparentemente, os EUA tinham previsto ocupar o território panamenho, com ou sem a autorização do governo”, acusa a nota do MAP, que “condena os exercícios militares norte-americanos sobre solo panamenho”.

O movimento denuncia também que as ações militares que os EUA realizarão no Panamá são inconstitucionais e violam tratados internacionais assinados pela nação centro-americana, além de servirem de simulação a um ataque contra a Venezuela [VIDEO].

“É uma clara mensagem do império de Washington contra qualquer política panamenha, que não se subordine aos interesses desse país. Além disso, coloca o governo panamenho no centro dos planos imperiais de invadir militarmente o [nosso] país irmão da Venezuela”, acusa a nota.

O desembarque estadunidense nesse país coincide com a viagem do secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, por vários países da região no início do mês. Na ocasião, Tillerson se mostrou incomodado com a aproximação dos países latino-americanos com Rússia e China.

“A América Latina não precisa de novos poderes imperiais que só pensam em seus próprios interesses”, declarou. Essas palavras não foram bem recebidas pelos países latino-americanos, onde muitos denunciaram que os EUA ainda olham para o continente como se fosse seu quintal.

Colômbia

Militares dos EUA também chegaram na Colômbia, país que faz fronteira com o Panamá, no último final de semana. Na cidade de Tumaco, membros do Comando Sul se reunirão com o exército colombiano.

O principal objetivo da missão é “conter ameaças à segurança na região”, segundo o chefe da força Militar conjunta norte-americana, citado pela plataforma midiática Telesur.

A violência no país aumentou nos últimos dias, com a crescente tensão entre as forças armadas da Colômbia e o Exército de Libertação Nacional (ELN), grupo guerrilheiro atuante no país, além de assassinatos de ativistas sociais.

Meios de comunicação da Venezuela também apontaram o desembarque dos militares estadunidenses como uma possível preparação para uma invasão ao seu país.

“A visita em dias recentes de Kurt Tidd, chefe do Comando Sul dos Estados Unidos, à Colômbia, desperta suspeitas e leva alguns a opinar que a ordem de atacar a Venezuela já está dada”, escreve Luis Beatón, correspondente em Caracas da agência Prensa Latina.

Em novembro do ano passado, os EUA também haviam realizado exercícios militares próximos à fronteira da Venezuela na Amazônia brasileira, em conjunto com os exércitos de Brasil, Colômbia e Peru. Na ocasião, houve uma grande preocupação e rejeição por parte do governo venezuelano às manobras militares, alegando que eram exercícios preparatórios para uma possível invasão ao país.

Desde o ano passado o governo dos EUA tem feito declarações agressivas contra Caracas. O presidente norte-americano Donald Trump chegou a cogitar uma intervenção internacional no país sul-americano, assim como deputados republicanos. A situação ficou mais preocupante para o governo de Nicolás Maduro quando Tillerson sugeriu um golpe militar e a expulsão do presidente venezuelano de seu país, o que foi condenado pela maioria dos países latino-americanos e por Rússia e China, que acusaram os EUA de interferirem na política interna da Venezuela e violar sua soberania nacional, assim como o direito internacional.