Três grupos iraquianos se pronunciaram esta semana contra a presença militar dos EUA [VIDEO] no Iraque.

O Movimento de Resistência Islâmica do Iraque (Kataib Hezbollah) fez fortes ameaças de guerra contra as forças americanas, caso não haja uma retirada total de tropas.

“Em qualquer momento pode haver um confronto com os estadunidenses”, avisou Jaafar al-Husseini, porta-voz do Hezbollah iraquiano, em entrevista ao canal libanês Al-Mayadeen. “A presença militar dos EUA no Iraque significa apenas ocupação”, declarou, citado pelo site do canal iraniano HispanTV.

Por sua vez, o movimento armado popular al-Nujaba fez um discurso parecido.

“Se os americanos não deixarem o Iraque, al-Nujaba vai responder com armas”, advertiu o porta-voz da milícia, Abu Wareth al-Moussavi, citado pela agência iraniana Fars News.

“Assim como temos lutado pelo estabelecimento da soberania do Iraque [contra o Estado Islâmico], nós também vamos usar nossas armas para confrontar os ocupantes”, completou.

O mais moderado, a Organização Badr – que tem um representante no governo iraquiano – afirmou que, se os EUA mantiverem tropas em seu país, a situação pode se agravar.

“Os dois governos deveriam cooperar para obter uma retirada total. A presença dos EUA será motivo de polarização interna e um ímã para terroristas”, alertou Kareem Nuri, porta-voz do grupo, citado pela agência Reuters.

As três entidades são de orientação xiita e têm o Irã como aliado na região.

Elas também vêm trabalhando em conjunto com as forças iraquianas na luta contra o Estado Islâmico e outros grupos terroristas desde 2014.

Retirada parcial

Após a derrota do Estado Islâmico no Iraque, os EUA decidiram diminuir seu contingente militar no país. Em comum acordo com o governo iraquiano, resolveu-se retirar parte dos mais de cinco mil soldados estadunidenses que estavam nesse parte. Parte deles será realocada no Afeganistão.

“Nossa presença a longo prazo como convidados no Iraque se concentrará na vigilância, controle fronteiriço e formação militar”, disse recentemente Jonathan Braga, diretor de operações da coalizão de combate ao Estado Islâmico, liderada pelos EUA.

Essa aliança militar internacional [VIDEO] operou entre 2014 e 2015 na reconquista de territórios que haviam sido tomados pelos terroristas e forneceu treinamento para soldados de elite do país árabe.

Contudo, o papel da coalizão foi questionado pelo porta-voz do Kataib Hezbollah, que disse que ela foi criada “contra a vontade do Iraque” e que suas tropas entraram em solo iraquiano “pela força”.

Ele ainda denunciou que “os estadunidenses transportaram o Estado Islâmico para o Iraque para ter uma desculpa para voltar a invadir este país depois de tê-lo abandonado”.

Os EUA invadiram o Iraque em 2003 alegando que o governo do então presidente Saddam Hussein detinha armas de destruição em massa e que ele dava apoio a atividades terroristas da al-Qaeda. Entretanto, isso nunca foi provado e a ocupação dos EUA – que terminou oficialmente no final de 2011 – foi denunciada por ativistas e governos por violações dos direitos humanos e por ter agravado os conflitos e a presença de grupos terroristas no país e na região.