Ao menos 11 pessoas morreram em ataques aéreos da coalizão liderada pela Arábia Saudita contra alvos em Sanaa e Saada, no iêmen.

Nas últimas 24 horas foram registrados ao menos 45 ataques aéreos sauditas. Segundo a Agência de Notícias do Iêmen (SABA), sete civis foram mortos na capital, Sanaa, incluindo uma criança. Na cidade de Saada, no centro-oeste do país, outros quatro civis também foram assassinados dentro [VIDEO] de seu próprio carro pelos bombardeios sauditas.

A agência cita fontes militares, que informaram que há ao menos 60 feridos por todo o país “quando aviões da agressão saudita apoiada pelos EUA continuaram cometendo massacres contra o povo iemenita nas últimas 24 horas”.

Por outro lado, correspondentes da emissora de TV libanesa Al Mayadeen afirmam que ao menos 42 pessoas – entre mortos e feridos – foram vítimas de um ataque saudita contra um edifício de criminologia no norte de Sanaa.

'Sauditas são ocupantes'

A guerra no Iêmen começou como uma guerra civil em 2014, após os rebeldes houthis tomarem a capital do país e o governo entrar em uma enorme crise, com o exílio do presidente Abd Mansur al Hadi em Riad, na Arábia Saudita. Os sauditas intervieram para devolver o poder ao governo iemenita, liderando uma coalizão militar internacional apoiada pelos Estados Unidos.

Entretanto, mais de três anos se passaram e a guerra não terminou, os houthis continuam controlando Sanaa e a intervenção estrangeira [VIDEO] só causou mais danos à infraestrutura do país e à população.

O Iêmen é o país mais pobre do Oriente Médio e desde o início da guerra houve mais de 10 mil mortes, 20 milhões de pessoas ficaram desalojadas, oito milhões correm risco de fome e 75% necessita de ajuda humanitária.

Para piorar, a Arábia Saudita impôs um bloqueio total de vias terrestres, marítimas e aéreas ao Iêmen no início de novembro de 2017, privando o país de combustível, comida e medicamentos. A ONU condenou o bloqueio, que impede que a maior parte da ajuda humanitária chegue aos iemenitas.

O papel da Arábia Saudita e aliados de coalizão, como os Emirados Árabes, tem sido criticado por ativistas e organizações humanitárias. A vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2011, a iemenita Tawakkol Karman, acusou recentemente esses dois países de “lançarem uma repulsiva ocupação e influência no Iêmen”, segundo o veículo árabe sediado em Londres The New Arab.

A crise humanitária tem piorado com o bloqueio. Segundo o serviço informativo de crises e desastres do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários, desde o final de abril de 2017 houve mais de um milhão de casos suspeitos de cólera (dos quais mais de dois mil resultaram em mortes associadas com a doença). No ano passado o Iêmen contabilizou o maior número de pessoas afetadas pela cólera dentro de um único ano da história mundial.