Um militar de alto escalão do Irã denunciou na quarta-feira (06) que espiões estrangeiros estão tentando se infiltrar em setores das forças armadas do país.

O general de brigada Hassan Emami, vice-diretor da Organização de Contra-Inteligência do Corpo de Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI) do Irã, avisou que está monitorando atividades de agências de espionagem estrangeiras dentro de território iraniano.

“As agências de espionagem estrangeiras estão por trás da coleta de informações, da contratação de espiões e da infiltração em lugares sensíveis, em centros de pesquisa, na Força Aeroespacial do CGRI, na Força Quds e em outros centros”, declarou Emami, citado pela agência iraniana Fars News.

“Nós adotamos medidas contra-ofensivas e ofensivas [contra elas]”, completou.

Ele afirmou que as forças de segurança e vigilância do Irã [VIDEO] monitoram as atividades adversárias dentro e fora do país para desbaratar os planos de espiões estrangeiros.

Na mesma declaração, o militar afirmou que o serviço de inteligência iraniano mantém disputas com as maiores agências de inteligência do mundo, “entre elas a CIA e o serviço de inteligência israelense [Mossad], assim como [com] outros serviços que buscam certos objetivos no [nosso] país e no Corpo de Guardas, e temos frustrado planos de distintos tipos, como recrutamento de colaboradores, coleta de dados reservados e infiltrações”, cita o site do canal iraniano HispanTV.

EUA e Israel

Como reporta a emissora iraniana, em 2015 um ex-oficial do exército dos EUA revelou planos conjuntos da Agência Central de Inteligência norte-americana (CIA) e do Mossad [VIDEO] para assassinar especialistas nucleares do Irã.

Segundo o pesquisador e analista geopolítico Koldo Salazar, desde que o Irã iniciou seu programa nuclear sob o governo de Mahmoud Ahmadinejad, EUA e Israel não têm poupado esforços de inteligência para frear as ambições iranianas.

O Mossad é quem está mais preocupado e, junto com colaboradores dentro do Irã, tem agido para boicotar o programa nuclear iraniano. “Devido à impossibilidade de acabar com o programa e a lentidão nas negociações para pará-lo […], Israel decidiu iniciar uma campanha de assassinatos aplicando o terrorismo de estado[...]”, escreve Salazar em seu blog “Otra Lectura”.

Entre 2007 e 2011, ao menos cinco atentados (quatro bem-sucedidos) foram executados contra cientistas e pesquisadores iranianos ligados ao programa nuclear de seu país.

De acordo com a Fars News, a cada ano Teerã identifica e prende espiões que estariam trabalhando para agências de inteligência estrangeiras.

Em outubro do ano passado, um agente do Mossad foi condenado à morte por estar envolvido no assassinato de dois daqueles pesquisadores, Massoud Ali Mohammadi e Majid Shahriari. Em setembro, quatro pessoas (dois iranianos, um americano e um libanês) foram condenados a dez anos de prisão por espionarem para os EUA.