Em comunicado divulgado na última quarta-feira (14), a Missão Permanente do Irã na sede da Organização das Nações Unidas (ONU) respondeu às acusações da embaixadora dos EUA no órgão, Nikki Haley, e afirmou que Washington apoia o terrorismo [VIDEO] para desestabilizar o Oriente Médio.

“O papel dos EUA na expansão do Daesh (Estado Islâmico) e do Terrorismo na região é inegável”, diz o texto. “A desventura e as intervenções ilegais dos EUA nos países da região, em especial Iraque, Líbia, Síria, Líbano e Afeganistão, são desestabilizadores e resultaram em consequências catastróficas para a zona”, continua, citado pelo site da TV libanesa al-Mayadeen.

Esse posicionamento foi em resposta à declaração de Haley, que acusou o Irã de desestabilizar [VIDEO] o Oriente Médio. Ela afirmou que uma aeronave não tripulada de fabricação israelense invadiu o espaço aéreo israelense no último sábado (10), reproduzindo as acusações do governo de Israel.

“O Irã estava fazendo uma vez mais o que sempre faz: criar risco de conflito e por à prova a vontade de seus vizinhos e oponentes de resistir a sua agressão”, disse a representante americana, segundo al-Mayadeen.

Por sua vez, Teerã argumentou que as alegações dos EUA não têm fundamento e são direcionadas a abalar o trabalho iraniano para resolver o conflito na Síria, o qual, diz o comunicado, o governo americano não tem interesse de que acabe. Destacou ainda que o apoio estadunidense aos atos de Israel se tornaram a principal fonte de insegurança e instabilidade no Oriente Médio.

Os comentários de Haley foram feitos no âmbito da publicação de um relatório produzido por uma equipe de especialistas das Nações Unidas que denuncia o não cumprimento do Irã ao embargo de armas contra o Iêmen aprovado pelo Conselho de Segurança em 2015.

“O mundo não pode continuar a permitir que essas flagrantes violações fiquem sem resposta. O Irã precisa saber que existem consequências de desafiar a comunidade internacional. É hora de o Conselho de Segurança agir”, declarou Haley, mencionada pela CBS News.

O veículo norte-americano informa que, tanto o Irã como a Rússia, aliados no conflito na Síria e com posições semelhantes a respeito do Oriente Médio, consideraram o relatório “motivado politicamente” e que o ministro de Relações Exteriores iraniano acusou os EUA de “fabricar” o documento.

“A República Islâmica do Irã rejeita categoricamente aquelas alegações sem embasamento contidas no relatório do painel [de especialistas da ONU] e reitera que não tem uma política de transferência ou de fabricação de armas no Iêmen”, se defendeu no comunicado o embaixador iraniano, Eshag al-Habib.