Em conversa telefônica nesta terça-feira (06), os presidentes do Irã, Hassan Rouhani, e da Rússia, Vladimir Putin, concordaram em se opor a qualquer presença militar na síria sem a permissão do governo de Damasco. “A República Islâmica do Irã se opõe à presença de forças estrangeiras em solo sírio sem a permissão do governo do país”, disse Rouhani a Putin, segundo o canal iraniano Press TV.

“A continuação das tensões não é de interesse de ninguém e esperamos que todos os países da região respeitem a integridade territorial e a soberania da Síria”, completou o presidente do Irã [VIDEO], referindo-se à nova escalada da guerra no país árabe com a invasão militar da Turquia.

Por sua vez, Putin concordou com seu homólogo iraniano ao expressar que o povo sírio [VIDEO] é o único que pode decidir o futuro de seu país. De acordo com a Press TV, o presidente da Rússia ainda criticou implicitamente os Estados Unidos ao afirmar que que alguns países de fora da região fornecem apoio a grupos oposicionistas para dividir a Síria.

Invasão

No dia 20 de janeiro, a Turquia iniciou uma operação militar chamada “Ramo de Oliveira”, invadindo o Norte da Síria para combater os guerrilheiros curdos apoiados pelos EUA. Segundo o governo de Ancara, as ações desses agrupamentos, a quem chama de terrorista, são uma ameaça para sua segurança e integridade territorial.

Eles fazem parte da “Força de Segurança da Fronteira”, criada pelos EUA ao instalarem bases militares em território sírio controlado pelos curdos e treinar ao menos 30 mil milicianos, muitos dos quais pertenciam às fileiras do Estado Islâmico e outras organizações jihadistas.

A invasão turca à região de Afrin já deixou ao menos 142 mortos e 345 feridos, segundo noticiou nessa segunda-feira (5) a TV libanesa Al Mayadeen, citando a agência de notícias estatal da Síria (Sana).

O governo sírio, do presidente Bashar al-Assad, tem denunciado sistematicamente a invasão pela Turquia, que viola sua soberania nacional e os tratados internacionais. O mesmo é denunciado contra os EUA, que mantêm uma presença militar sem a permissão de Damasco.

Além do presidente Hassan Rouhani, o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores do Irã, Bahram Ghasemi, também declarou que a Turquia ponha fim a sua operação militar e saia da Síria. “A continuação dos ataques turcos contra Afrin ajuda à volta da instabilidade e dos terroristas à Síria”, afirmou, citado pelo site Al Mayadeen em espanhol.