Um novo ataque realizado nessa quarta-feira (21) pela Coalizão Internacional liderada pelos Estados Unidos deixou 12 civis mortos em Deir ez-Zor, no Leste da síria. De acordo com a Agência Árabe Síria de Notícias (Sana, na sigla em inglês), o bombardeio ocorreu no final da tarde de quarta-feira no distrito de Hajin, em Deir ez-Zor, danificando edifícios habitacionais e uma padaria.

Dos 12 civis mortos no ataque, a maioria era crianças e mulheres, segundo fontes locais que afirmaram à Sana. Também houve dezenas de vítimas não letais, algumas com ferimentos graves.

Esse ataque ocorreu menos de 48 horas após outro bombardeio da coalizão na mesma província de Deir ez-Zor.

Na terça-feira (20), ao menos 16 civis faleceram [VIDEO] após uma investida dos bombardeiros estrangeiros no povoado de Bahra, Leste da região. Entre as vítimas mortais, havia nove mulheres, além de pessoas feridas com gravidade, também segundo a Sana.

A região de Deir ez-Zor é um dos principais alvos de ataques da Coalizão Internacional formada por mais de 70 países e liderada pelos EUA. Um terceiro ataque aéreo ocorrido nessa província também matou mais de 100 combatentes pró-governo sírio, no dia 8.

Eles estavam lutando contra forças terroristas do Estado Islâmico e das Forças Democráticas Sírias (FDS) – aliadas de Washington. Em setembro de 2016, a região também sofreu intensos bombardeios das forças estrangeiras, matando 80 soldados do Exército Árabe Sírio que estavam a ponto de ganhar posições estratégicas do Estado Islâmico.

Soberania

Todos esses ataques causaram fortes críticas dos aliados da Síria, como Rússia e Irã, bem como da população do país árabe. Ambos denunciam as atividades da aliança pró-EUA, formada em setembro de 2014 declaradamente para combater o terrorismo, como uma violação da soberania nacional da Síria e uma afronta ao Direito Internacional e à Carta das Nações Unidas.

A capital da Síria, Damasco, por sua vez, tem feito repetidas denúncias nos órgãos internacionais, especialmente nas sessões da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), contra as operações da coalizão, que nunca foram autorizadas pelo governo sírio.

Outro motivo de denúncia por parte da Síria e de seus aliados é a presença militar terrestre americana em seu território, sem qualquer permissão de Damasco. No ano passado, Washington instalou bases militares no Norte do país, onde coordena operações e treina mais de 30 mil milicianos das Forças Democráticas Sírias e ex-guerrilheiros do Estado Islâmico.

As FDS são majoritariamente curdas e buscam a separação de sua região, o que é visto por Damasco como uma grande ameaça para sua integridade territorial.

Esta semana, no entanto, a imprensa síria noticiou que os curdos entraram em um acordo com o governo central sírio para lutarem conjuntamente [VIDEO] contra a invasão feita pela Turquia na região de Afrin, no Nordeste do país.

Os turcos iniciaram a invasão em 20 de janeiro para combater as forças curdas, que são consideradas terroristas por Ancara, capital da Turquia, e que ameaçariam sua segurança nacional.