O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou nesta segunda-feira (05) que será impossível de se viver em Gaza a partir de 2020, devido às péssimas condições [VIDEO] de vida neste território palestino.

Durante a primeira sessão do ano do Comitê Sobre os Direitos Inalienáveis do Povo Palestino, na sede das Nações Unidas em Nova York, Guterres citou um relatório da organização sobre os problemas enfrentados pela população de Gaza e pediu que serem feitas melhorias na infraestrutura e nos serviços públicos básicos.

“Dois milhões de palestinos lutam diariamente com a crise de eletricidade, falta de serviços, desemprego crônico e uma economia paralisada”, afirmou o português ao recordar o sofrimento da população da Palestina.

Israel, principalmente [VIDEO], e também o Egito, atualmente impõem um bloqueio que impede o fornecimento de recursos alguns recursos básicos para a economia e a infraestrutura de Gaza, assim como para a vida cotidiana de sua população.

Dois Estados

Guterres expressou seu desejo de que dois Estados sejam criados e reconhecidos pela comunidade internacional, o da Palestina e o de Israel. Para ele, esta é a “única maneira de criar as bases para a paz duradoura” na região, como noticia a Rádio ONU.

Ao lembrar que essa decisão já foi apoiada inúmeras vezes dentro do Conselho de Segurança e da Assembleia Geral da ONU, ele reforçou que “gostaria de ver um Estado palestino e um Estado israelense, ambos com Jerusalém como capital”.

O mais alto funcionário da organização criticou a decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de reconhecer aquela cidade disputada por israelenses e pelestinos como capital somente de Israel.

“Tendências negativas têm o potencial de criar uma realidade irreversível de um Estado, incompatível com as aspirações legítimas, nacionais, históricas e democráticas de israelenses e palestinos”, repreendeu.

Outra crítica à política atual dos EUA foi sobre o corte de verbas para a Agência da ONU para a Assistência aos Refugiados (UNRWA), que fornece ajuda fundamental para a sobrevivência de milhões de palestinos. Para 2018, o governo Trump irá destinar somente 60 milhões de dólares à UNRWA. Isso representa um corte de 300 milhões de dólares em relação ao repasse de 2017.

Colonização

Guterres condenou a colonização israelense na Cisjordânia, com a crescente construção de assentamentos ilegais que expulsam os palestinos de suas terras.

“[Essa construção] é ilegal pelas resoluções da ONU e pela lei internacional” e também “um grande obstáculo à paz e algo que deve parar”, denunciou.

'Colapso total'

Esta foi a segunda vez em uma semana que a ONU se pronuncia sobre a situação caótica de Gaza.

Na terça-feira (30), o enviado especial das Nações Unidas para o Oriente Médio, Nikolay Mladenov, declarou que está "à beira de um colapso total dos sistemas de Gaza, com um colapso total da economia, com as consequentes implicações de segurança para os serviços sociais, políticos e humanitários".

Ele também se referiu ao bloqueio imposto por Israel, que torna a Faixa de Gaza uma das regiões do mundo com maior densidade populacional: cerca de 1,8 milhões de pessoas vivendo em uma área total de 362 km² (5 mil habitantes por km²).

A taxa de desemprego que alcança cerca de metade da população adulta, a pobreza e o precário fornecimento de água e energia elétrica são alguns dos indicadores que motivam as críticas e preocupações de autoridades e órgãos da ONU.