A Polícia Federal e Ministério do Trabalho realizaram uma operação para fiscalizar fazendas e estabelecimentos comerciais da seita “Jesus a verdade que marca”. Esse grupo religioso atua nas cidades de Minduri, Andrelândia, Madre de Deus de Minas e São vicente de Minas. Segundo a Polícia Federal, os líderes da seita são suspeitos de explorar ilegalmente os trabalhos dos seguidores em fazendas e comércios.

Canaã — A colheita final

A seita, que surgiu no estado de São Paulo, chegou ao sul de Minas em 2005.

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De acordo com a Polícia Federal, os trabalhadores denunciaram a organização por obrigar os integrantes a vender todos os bens e doar o dinheiro para os líderes do grupo. Seria uma forma de mostrar que todos são desprendidos das riquezas materiais. Ainda durante as investigações, foram descobertos que os líderes da seita circulam em carros luxuoso e mantêm a doutrinação religiosa dos seguidores, que são submetidos a exaustivas jornadas de trabalho e recebem apenas alimentação como pagamento.

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Essa não é a primeira vez que a Polícia Federal investiga a seita. Em 2006, as precárias condições de alojamento e trabalho foram denunciadas. Em uma casa com seis cômodos, moravam 35 pessoas, na época, cerca de 800 integrantes da seita morava em cinco fazendas em São Vicente de Minas e Minduri.

O apocalipse — a promessa

Cerca de 90 agentes participam da operação. Se as denúncias forem confirmadas, os líderes da seita podem ser indiciados por trabalho escravo e pegar uma pena de ate oito anos de prisão, além do pagamento de multa.

A Polícia Federal acredita que a seita já teria convencido cerca de seis mil pessoas a entregarem todos os bens e viverem em comunidades religiosas, sobre a promessa de dividir os lucros, só que isso não acontece.

Os fieis são deslocados para fazendas onde trabalham em regime de escravidão, sem remuneração e tem a sua liberdade de locomoção reduzida. Nas fazendas, eles plantam café, laranjas e criam gado.

Um dos integrantes da sociedade negou a existência do trabalho dizendo: "Aqui a gente tem o que é necessário, aqui nos temos de tudo, não tem serviço escravo".

De acordo com a PF, o patrimônio conseguido pela quadrilha com doações do fiéis e com o trabalho nas fazendas pode passar de seis milhões de reais. A seita também controla empresas, como postos de combustíveis e restaurantes mantidas em nomes de laranjas. Foram ouvidas pela PF cerda de 40 pessoas em Minas, São Paulo e Bahia. Também foram apreendidos carros, documentos e computadores. Os investigadores pediram bloqueios de contas bancarias e imóveis dos envolvidos.

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