Para quem pensava que a Grécia, pequeno país do sudeste europeu, [VIDEO] só concebeu para a sociedade humana filhos ilustres como filósofos, matemáticos, astrônomos, pensadores, estadistas, democratas, médicos, entre outros, nos séculos e milênios passados, está redondamente enganado.

Ainda hoje, a “Mãe Grécia” como é chamada por muitos dos seus habitantes, gregos ou não, continua concebendo cidadãos que enchem o país de orgulho, assim como qualquer outra mãe de verdade fica cheia de si, quando vê os sucessos de sua prole com o passar dos anos.

Não perca as atualizações mais recentes Siga o Canal Futebol

Míkis Theodorákis, por exemplo, é uma das dessas personalidades ainda vivas, mais célebres de toda a Grécia. Nascido em 29 de julho de 1925 na ilha grega de Quíos, próxima à Turquia, se tornou compositor, músico e político, adquirindo fama mundial com as suas carreiras seculares diversificadas.

Além do que, foi o responsável pela criação das trilhas sonoras de filmes consagrados de Hollywood como “Fedra” (1961), "Zorba, o Grego" (1964), e “Z” (1968, com Yves Montand) e “Sérpico”. Míkis além disso, foi uma espécie de ministro sem pasta no considerado governo conservador de Mitsotakis entre 1991 a 1993.

Quando jovem, o grego era membro ativo da frente de resistência comunista contra a ocupação nazista dos alemães na 2ª Guerra Mundial, sendo torturado nas prisões e campos de concentrações por onde ficou preso.

O músico sempre foi um duro combatente através de sua arte e letras de músicas pela liberdade dos gregos, como é o caso da terrível ditadura militar a qual foi submetida a Grécia entre 1967 a 1973, período em que ele foi expressamente proibido pelas autoridades de realizar apresentações em concertos, sendo de novo torturado.

Theodorákis foi e é sim um revolucionário da liberdade, com suas sinfonias, balés e discursos de protesto, denunciando as repressões políticas impostas no berço da democracia, que é a Grécia, bem como, não deixou de se engajar nas campanhas relativas aos direitos humanos.

O político grego não deixou de falar sobre a guerra envolvendo a ilha de Chipre, nas sempre constantes tensões entre a Turquia e a Grécia; criticou os ataques da OTAN contra a Sérvia ortodoxa; o sequestro do ex-líder curdo Abdullah Öcalan pela Turquia ou o conflito entre judeus e palestinos.

Míkis foi corajoso o bastante para fazer promover duras críticas ao ex-presidente norte-americano George W. Bush e ao já falecido político e militar sionista Ariel Sharon, o que lhe rendeu comentários adversos.

Míkis Theodorákis defende a Macedônia como parte inegociável da Grécia

A última aparição em público oficial de Míkis Theodorákis foi no dia 4 de fevereiro deste ano, quando discursou para milhões de pessoas concentradas no coração de Atenas, na Praça Syntagma [VIDEO], e ao redor de todo o globo.

O compositor veterano não se deixou envergar pelo peso da idade e nem por aquele dia de temperatura fria e “colocou a boca no mundo” sobre o impasse político e geográfico com o país vizinho ao Norte, que é Fyrom, um nome acróstico para a Antiga República Iugoslava da Macedônia.

O termo Macedônia é aplicado a uma grande porção do território grego ao Norte da Grécia, incluindo a 2ª cidade mais importante do país helênico, a saber, Thessaloníki e justamente por essa alegação velada de encampação territorial da Grécia por parte de Fyrom, é que gregos milhões de gregos como Mitsotákis se levantaram contra a tendência territorialista desses eslavos.

Naquela data Míkis, invocou figuras emblemáticas da Grécia como o patrício libertador Thedoros Kolokotronis, que lutou para livrar o país do domínio otomano de 400 anos. O famoso disse que sempre se posicionará contra toda e qualquer forma de facismo, arbitrariedade, desde o enfraquecido governo grego de esquerda até as ambições de outros países quanto ao território grego.

Ele acusou ainda as autoridades de Skopia, capital de Fyrom, de envenenar política e ideologicamente gerações do povo do próprio país, fazendo-os acreditar erroneamente que são descendentes do rei Alexandre o Grande e o seu pai, o também rei Felipe, o que não passa de uma vergonhosa deturpação da história.

De fato segundo Theodorákis, os gregos querem viver em paz, respeitando aos demais povos, e assim, poder resolver os seus problemas internos que não são poucos; entretanto, o povo grego, espalhado nos mais diferentes países e não só na Grécia, não permitirá jamais que Fyrom incorpore o nome de Macedônia, tornando-se país membro da OTAN ou da ONU sob essa égide.

Theodorákis mais uma vez convocou o povo grego a superar as suas diferenças ideológicas e a defender a integridade de sua nação rodeada de nuvens negras perigosas, referindo-se claramente aos governos de Fyrom e até indiretamente da Turquia, os quais sempre tiveram planos obscuros com a República Helênica.

Para resumir, Theodorákis, e os demais gregos defendem a ideia de que a Macedônia é somente uma e é grega eternamente. [VIDEO]