O embaixador da Rússia na Coreia do Norte, Alexander Matsegora, revelou algumas facetas da diplomacia norte-coreana e da sociedade “mais fechada do Mundo”, como costumamos ouvir no Ocidente.

Em entrevista a jornalistas na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, ele afirmou que a Coreia do Norte “é um dos poucos países atualmente que poderiam se permitir buscar uma política externa absolutamente independente”.

Como demonstração disso, o diplomata russo lembrou do reconhecimento da Crimeia como território da Rússia por parte de Pyongyang, que publicou em outubro do ano passado um novo atlas com a região fazendo parte do território russo.

“Nós não pagamos a eles nem um centavo pelo reconhecimento da Crimeia. Eles simplesmente disseram: 'Acreditamos que a Crimeia é russa, portanto a reconhecemos como russa. É isso'”, explicou Matsegora, citado pela agência russa Tass.

Em março de 2014, logo após o golpe na Ucrânia, foi realizado um referendo na Crimeia em que 97% da população decidiu se reincorporar à Rússia, o que foi prontamente acatado pelo governo russo. No mesmo mês, a maior parte dos países da ONU não reconheceu o referendo. A Coreia do Norte foi um dos onze países que o reconheceram.

Relações RPDC-Rússia

Esse fato representa a proximidade entre a Federação Russa e a República Popular Democrática da Coreia (RPDC) – nome oficial da Coreia do Norte. Uma proximidade muito mais difícil de ser alcançada pelos países ocidentais. “Eles abriram uma exceção para nós. Nós somos um país amigo para eles”, disse Matsegora.

Segundo o embaixador russo, a relação entre os dois países tem sido muito honesta, a ponto de a Rússia declarar abertamente que não aceitará o status nuclear da Coreia do Norte e o país asiático compreender a postura de Moscou.

Como resultado, atualmente de todas as “grandes potências”, a Rússia tem “as melhores relações” com Pyongyang, revelou à Tass.

Isso significa que, ao menos de acordo com o embaixador russo, as relações da RPDC com a Rússia têm sido melhores do que com a China, tradicionalmente sua aliada mais próxima. De fato, desde que a Coreia do Norte decidiu desafiar os EUA e dar continuidade a seu programa nuclear, Pequim tem se distanciado do vizinho.

Embora tente “apagar o fogo” entre Donald Trump e Kim Jong Un, culpando os dois países pelas tensões na região, o governo chinês elevou as críticas a seu vizinho nos últimos tempos, o que foi visto por Pyongyang como uma espécie de traição. Além disso, apesar de ser o maior parceiro comercial da Coreia do Norte, a China tem acatado as sanções contra o país, a ponto de acabar com a importação de carvão, ferro, marisco e têxteis vindos da RPDC, reduzir o fornecimento de petróleo, fechar empresas norte-coreanas em seu território e barrar a entrada de trabalhadores norte-coreanos no país. Ademais, o comércio entre os dois países caiu pela metade em dezembro.

Alexander Matsegora afirmou ainda que as relações entre Moscou e Pyongyang são melhores até que em alguns momentos da época soviética, mesmo com certos problemas devido à adesão da Rússia às sanções contra a Coreia do Norte.

Sociedade norte-coreana

Nos últimos anos, a sociedade norte-coreana está experimentando uma maior abertura. Os estereótipos retratados frequentemente pela mídia internacional parecem não ser mais do que preconceito e distorção da realidade.

“Eles [os cidadãos norte-coreanos] têm se tornado muito mais abertos, simplesmente porque agora podemos nos reunir com eles em vários lugares.

Durante os últimos cinco ou seis anos, eles têm construídos inúmeras quadras esportivas, piscinas, jogam boliche, squash, eles têm aberto muitos restaurantes. Nós nos reunimos e conversamos lá, então, desse ponto de vista, eles têm se aproximado de nós”, declarou enviado russo.

Ele também destacou durante a entrevista que Coreia do Norte está direcionando seus esforços para modernizar a economia e que a perseverança em desenvolver seu programa bélico mesmo sob sanções se deve ao “papel decisivo” do “incrível talento do povo coreano” e sua devoção pelo trabalho.

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