A síria denunciou nessa quarta-feira (14), durante sessão do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU), sobre a situação no país, que a Coalizão Internacional liderada pelos Estados Unidos tem como verdadeira missão o apoio a grupos terroristas e não a sua eliminação.

Em declarações compiladas pela agência estatal síria de notícias, Sana, o embaixador do país árabe na ONU, Bashar al-Jaafari, disse que EUA, França e Grã-Bretanha não têm poupado esforços para minar a Síria e que a verdadeira missão da Coalizão Internacional é dar apoio aos terroristas.

Segundo a agência, em sua intervenção no órgão internacional, o diplomata ressaltou as revelações do site WikiLeaks que apontaram que os EUA e aliados gastaram 137 bilhões de dólares para apoiar organizações terroristas.

Soberania

Ele reiterou a posição do governo sírio de condenar as operações da coalizão dentro de seu território, que não têm sua permissão e, portanto, violam sua soberania e o direito internacional. Al-Jaafari mencionou a resolução 2254, de dezembro de 2015, do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que defende a proteção da soberania, da independência e da integridade territorial da Síria. Como denunciou, a presença militar dos EUA no Norte do país viola tal decisão.

Quando os EUA intervieram unilateralmente no conflito na Síria, em setembro de 2014, disseram que era para lutar contra o Terrorismo, então mudaram de opinião e declararam que queriam criar bases militares e depois indicaram seu interesse em apoiar milícias antigovernamentais, afirmou o representante sírio, citado pela agência Prensa Latina.

No final do ano passado, os EUA alegaram que não irão se retirar da Síria porque o grupo terrorista Estado Islâmico ainda não teria sido completamente derrotado. Entretanto, al-Jaafari recordou que Washington expressou posteriormente sua intenção de continuar mantendo bases militares no Norte do país mesmo após a derrota dos extremistas.

Atualmente, os EUA mantêm as bases instaladas em 2017 no Norte do país, região controlada por guerrilheiros curdos opositores ao governo central de Damasco. Oficiais militares dos EUA dão treinamento e assistência a mais de 30 mil milicianos, alguns ex-jihadistas, que se juntaram à Força de Segurança da Fronteira – guarda militar fronteiriça criada pelos EUA na Síria.

Agressões

O embaixador sírio na ONU também criticou o Conselho de Segurança por não garantir os princípios e metas estabelecidas que proíbem a ameaça com o uso da força de um Estado contra outro. No dia 8, bombardeios da Coalizão Internacional atacaram forças guerrilheiras pró-governo da Síria, matando mais de 100 combatentes [VIDEO].

Segundo a Sana, eles estavam lutando contra terroristas do Estado Islâmico e das Forças Democráticas Sírias (FDS) – aliadas dos EUA.

A Turquia também invadiu a Síria e ocupou parte do Norte do país. Em 20 de janeiro, o governo turco iniciou a operação “Ramo de Oliveira” [VIDEO] para combater os curdos aliados dos EUA, alegando que são uma ameaça a sua segurança e integridade territorial. A ação é rechaçada por Damasco.

Além disso, os bombardeios e manobras aéreas de Israel contra território sírio se intensificaram no início deste ano. Os alvos têm sido sistematicamente militares do Exército sírio, o que o governo do presidente Bashar al-Assad vem denunciando repetidamente como uma agressão de Tel Aviv para impedir a luta de suas forças contra o terrorismo.