Nos últimos dias a imprensa mundial tem noticiado um intenso bombardeio das forças do governo sírio a Ghouta Oriental, subúrbio da zona leste de Damasco, capital da síria. Os EUA e seus aliados, bem como os meios de comunicação ocidentais, condenaram as forças do presidente Bashar al-Assad pela dureza dos ataques, que teriam matado centenas de pessoas.

Por sua vez, o embaixador da Síria na Organização das Nações Unidas (ONU), Bashar al-Jaafari, se defendeu, dizendo que o governo está apenas “lutando contra terroristas em Ghouta Oriental”.

“Se houvesse centenas de terroristas no Central Park, bombardeando Nova York, o que seu governo faria?”, perguntou o diplomata a um jornalista ao ser questionado na saída da sede das Nações Unidas devido às ações do exército sírio.

De fato, Damasco está sendo atacada desde Ghouta Oriental. Segundo a Agência Árabe Síria de Notícias (Sana, na sigla em inglês), somente nesta sexta-feira (23), 70 morteiros foram disparados daquela região periférica contra bairros residenciais da capital. Ao menos uma pessoa morreu e 60 ficaram feridas.

Os ataques também destruíram parcialmente um hospital, conforme a agência oficial. Entretanto, a agência de vídeos Ruptly reportou que fontes locais informaram de três vítimas fatais.

Os militantes que controlam Ghouta Oriental e que estão lutando contra as forças do governo são chamados de “rebeldes” pela mídia ocidental. No entanto, não se veiculou nenhuma informação nas principais notícias desta semana sobre quem são esses “rebeldes”.

A zona é controlada basicamente por três organizações, em maior ou menor nível. Elas frequentemente entram em confronto entre si, mas também costumam se aliar para combater o governo, seu inimigo comum.

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Polícia

Faylaq al-Rahman

Ativo desde o final de 2013, esse grupo guerrilheiro recebeu a incorporação, em 2017, de membros da Ahrar al-Sham (considerada uma organização terrorista por Síria, Irã, Rússia, Emirados Árabes e Egito e que foi atacada pelos EUA durante ofensiva contra o Estado Islâmico em 2014).

Além disso, em julho do ano passado, as forças militares da Rússia deram um ultimato para que a Faylaq al-Rahman cortasse seus laços com a Tahrir al-Sham Hayat (veja abaixo) e a expulsasse de suas zonas de controle em Ghouta Oriental, segundo o veículo árabe Al-Masdar News, citado pela agência iraniana Fars News.

Tahrir al-Sham Hayat

Reportagem da BBC de fevereiro de 2017 revelou a criação da Tahrir al-Sham Hayat, uma aliança de grupos extremistas ligados ao Qatar. Entre esses grupos, encontra-se a Jabhat Fateh al-Sham, antes conhecida como Frente al-Nusra. Ela é um braço na Síria da rede terrorista al-Qaeda e é reconhecida como tal pelo governo dos EUA.

Jaysh al-Islam

Porém, o grupo fundamentalista de maior peso em Ghouta Oriental é a Jaysh al-Islam. De acordo com a agência Reuters, a organização foi fundada em 2013 com apoio direto da Arábia Saudita para conter a al-Qaeda em Damasco, e ainda recebe financiamento do reino saudita e do Qatar, além de ter ligações com o governo da Turquia.

Essa coalizão majoritariamente salafista-wahhabista (ultraconservadores sunitas, assim como os sauditas) é considerada como terrorista por Rússia, Líbano, Egito, Irã, além da própria Síria. Há dois anos está em confronto com o exército sírio em Ghouta Oriental, conforme o mapeamento realizado pela Universidade Stanford (EUA) das organizações que lutam na guerra na Síria.

Em novembro de 2015, o grupo utilizou soldados das forças oficiais e seus familiares como escudo humano para evitar ataques do exército, o que gerou críticas dos moradores dessa região ao leste de Damasco.

Em fevereiro de 2016, a Jaysh al-Islam matou 45 soldados das forças oficiais. No mesmo ano, a organização teria usado armas químicas em um ataque contra forças curdas em Aleppo, conforme relatos da imprensa e do Observatório Sírio dos Direitos Humanos, citados no mapeamento da instituição acadêmica norte-americana.

Em abril do ano passado, a Jaysh al-Islam atacou as organizações armadas que convivem com ela em Ghouta Oriental, bem como manifestantes civis que pediam o fim dos confrontos. A ação deixou cerca de 100 vítimas fatais.

Além disso, seu ex-líder, Zahran Alloush, foi acusado de reprimir dissidentes e damascenos xiitas e alauítas que moram nas zonas controladas pelo grupo.

Mesmo assim, a organização participou das negociações com o governo sírio em Astana (Cazaquistão), em janeiro de 2017.

O Centro para a Reconciliação na Síria do Ministério da Defesa da Rússia divulgou nota na última quinta-feira (22) acusando os três grupos extremistas de impedirem a saída da população de Ghouta Oriental (estimada em 400 mil pessoas) e utilizá-la como escudo humano.

O exército sírio está se preparando para uma grande operação de retomada da localidade esta semana.

Cerca de cinco mil soldados foram enviados para Ghouta Oriental e outra quantidade de militares estaria a caminho. As tropas do governo sírio cercam a zona controlada pelas facções desde 2013 e espera que esta seja a ofensiva final para recuperá-la.

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