Milhares de venezuelanos saíram hoje (04) às ruas de Caracas para comemorar o aniversário de 26 anos da rebelião cívico-militar liderada pelo ex-presidente do país, Hugo Chávez, em 1992.

A marcha pela capital venezuelana se iniciou pela manhã de vários pontos da cidade, em direção ao Palácio de Miraflores, sede do governo, onde ocorreu o ato central com a participação do presidente Nicolás Maduro.

A Manifestação foi organizada por movimentos sociais e partidos políticos da base chavista e contou com a presença de trabalhadores, estudantes, aposentados, militares, camponeses, representantes do movimento de mulheres e LGBT e outros setores das camadas populares.

Foi uma comemoração do chamado “Dia da Dignidade Nacional”, comemorado a cada ano no dia 4 de fevereiro para lembrar a rebelião cívico-militar liderada por Hugo Chávez em 1992.

Durante sua fala, em frente ao Palácio de Miraflores, Maduro reforçou o chamado a fortalecer a democracia participativa para enfrentar os problemas econômicos e políticos do país. Ainda avisou aos Estados Unidos, que sugeriram esta semana um golpe militar na Venezuela, que a população venezuelana não permitirá um acontecimento desses, bem como rechaçou as investidas norte-americanas para minar a economia do país.

Segundo pesquisa do instituto Hinterlaces, citada pela Agência Venezuelana de Notícias, 74% dos venezuelanos condenam a imposição de sanções dos EUA contra a Venezuela com a justificativa de forçar a queda de Maduro.

Ainda de acordo com a mesma pesquisa, 56% dos entrevistados afirmaram que preferem o governo de Maduro para que tome medidas que resolvam a crise econômica, enquanto 38% disseram preferir que um governo de oposição solucione esse problema.

Na sexta-feira (02), Maduro foi confirmado como candidato à reeleição pelo Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) na eleição presidencial que ocorrerá antes de 30 de abril. Sua candidatura também já recebeu o apoio público de ao menos quatro partidos aliados.

A eleição presidencial deste ano será a 25ª eleição (entre presidenciais, regionais, municipais e referendos, plebiscitos etc.) desde o início da chamada “Revolução Bolivariana” com a vitória eleitoral de Chávez em 1998.

Rebelião cívico-militar

Em 4 de fevereiro de 1992, o então tenente-coronel Hugo Chávez, líder do Movimento Bolivariano Revolucionário – 200 (MBR-200), foi capturado junto com outros militantes após uma tentativa fracassada de rebelião cívico-militar.

Entrevistado em rede nacional de televisão, naquele dia Chávez declarou: “companheiros, lamentavelmente, por ora, os nossos objetivos não foram alcançados”, assumindo a responsabilidade pelo fracasso da empreitada.

Essas palavras de Chávez, especialmente “por ora”, foram consideradas um presságio para sua posterior vitória eleitoral. Os objetivos de 1998 eram os mesmos dos de 1992: a superação das políticas neoliberais e o “Pacto de Punto Fijo” – semelhante à política do “café com leite” brasileira, sob o qual os partidos tradicionais, entre eles AD e Copei (opositores ao chavismo) se revezavam no governo para atender aos interesses da elite, enquanto as desigualdades sociais aumentavam.