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Segundo informações dos sites Independent e The Guardian, nesta sexta-feira (23) dezoito oficiais do órgão público britânico conhecido como Information Commissioner's Office (ICO, ou "Gabinete do Comissário da Informação" em tradução livre, o qual é responsável por regulamentar o cumprimento da Lei de Proteção de Dados e da Lei de Liberdade de Informação na Grã-Bretanha) entraram nas instalações da Cambridge Analytica – empresa acusada de adquirir e usar ilegalmente dados de milhões [VIDEO] de usuários do Facebook.

As buscas tiveram início depois que um juiz [VIDEO] da Suprema Corte do Reino Unido concedeu um mandado aos agentes, que se deslocaram até os escritórios da companhia situada em Londres apenas uma hora após o documento ser expedido.

Elizabeth Denham, que atualmente ocupa o cargo de comissária do ICO, afirmou que a diligência visa o acesso aos registros e informações armazenados pela entidade investigada. A intenção é analisar os servidores da empresa, e entender como os dados pessoais em posse da firma foram processados ou excluídos.

Entenda o escândalo

O escândalo começou através da criação de um aplicativo chamado thisisyourdigitallife ("esta é a sua vida digital" em português), elaborado pelo Dr. Aleksandr Kogan, pesquisador da Universidade de Cambridge, que pagou para centenas de milhares de usuários do Facebook realizarem testes de personalidade – os quais, por sua vez, concordavam em ter seus dados coletados para "uso acadêmico". No entanto, as informações dos amigos destes usuários também eram obtidas ilegalmente, e segundo o denunciante do esquema, Christopher Wylie, a Cambridge Analytica construiu modelos de anúncios "para explorar o que sabíamos sobre eles [os usuários] e direcionar seus demônios internos".

A inquirição conduzida pelo ICO visa justamente descobrir como o Dr. Kogan, a Cambridge Analytica e a companhia controladora desta firma, chamada SCL, adquiriram e usaram as informações de milhões de perfis do Facebook sem autorização para influenciar resultados de campanhas políticas – a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos e o referendo onde a população britânica decidiu que o Reino Unido deixaria a União Europeia são dois exemplos que se destacam.

Kogan alega que está sendo usado como "bode expiatório" pelas duas companhias envolvidas no escândalo – as quais, por sua vez, negam qualquer irregularidade. Contudo, o executivo-chefe da firma londrina, Alexander Nix, foi suspenso, e o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, foi chamado perante parlamentares da Grã-Bretanha para prestar esclarecimentos.

As investigações continuam.