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Segundo informações divulgadas pelo Mail Online nesta quinta-feira (29), faleceu no último dia 22, aos 107 anos de idade, um homem que foi o responsável direto por salvar a vida [VIDEO] de centenas de crianças judias que seriam mandadas para os campos de concentração mantidos pelo regime de Adolf Hitler durante a Segunda Guerra Mundial, tenebroso período no qual ocorreu o Holocausto – o maior genocídio do século XX, onde seis milhões de judeus foram assassinados [VIDEO].

Na época do conflito, Johan van Hulst trabalhava como diretor de uma escola protestante localizada em Amsterdã, que é a capital da Holanda. O estabelecimento ficava de frente para uma creche usada pelos nazistas que ocupavam o país, na qual jovens da fé judaica eram mantidos temporariamente antes de serem transferidos para os locais onde os extermínios em massa ocorriam.

Os integrantes do Terceiro Reich separavam todas as crianças menores de 12 anos de seus pais, e quando havia um grande número delas, uma parte era mandada para a escola de van Hulst.

Salvando vidas

Agindo de forma heroica, o diretor escolar criou um sistema muito engenhoso para salvar alguns daqueles menores de idade que estavam sob seus cuidados, escondendo-os por toda a cidade de Amsterdã.

Primeiramente, van Hulst fornecia informações falsas destinadas à confecção dos documentos que registravam o número de crianças transferidas para a escola – se, por exemplo, 30 eram mandadas ao liceu, ele declarava apenas 25. Em seguida, o holandês "contrabandeava" os resgatados para fora da instituição de ensino: muitas vezes, os menores de idade eram escondidos em cestos e sacos contendo roupa suja, de modo que fossem transportados sem que qualquer suspeita fosse levantada.

De pouco em pouco, van Hulst conseguiu salvar mais de 600 crianças. Entretanto, em 1945 ele foi forçado a se esconder dos nazistas, pois um colaborador seu acabou desistindo do esquema.

Após a Segunda Guerra, o ex-diretor passou a atuar como senador da Holanda pelo Partido Democrata Cristão – cargo ocupado entre 1956 e 1981 –, e no ano de 1972, ele recebeu o título de "Justo entre as Nações", concedido pelo governo de Israel aos não judeus que auxiliaram as pessoas praticantes daquela fé na época do Holocausto.

Mesmo sendo o responsável por salvar centenas de vidas, van Hulst costumava dizer que não sentia ter feito o suficiente. Em 2015, o heroico homem chegou a declarar: "Na verdade, eu só penso no que não consegui fazer. [Penso] Naqueles poucos milhares de crianças que eu não pude salvar".