O relator especial da Organização das Nações Unidas (ONU) e especialista independente desse organismo para a Promoção da Ordem Internacional Democrática e Equitativa, Alfred de Zayas, afirmou que as sanções econômicas [VIDEO] impostas pelo governo dos EUA contra a Venezuela têm o objetivo de “fazer sofrer” o povo do país sul-americano.

“Na minha opinião como professor de Direito Internacional e antigo secretário do Comitê de Direitos Humanos [da ONU], sanções que causam a morte de crianças por desnutrição, falta de água potável, falta de medicamentos que causam mortes por falta de insulina, remédios contra o câncer, contra a malária, por falta de equipamento médico e material técnico, constituem um crime contra a humanidade, especialmente porque são intencionais, sádicos, quer fazer sofrer”, declarou ao jornal venezuelano Últimas Notícias [VIDEO].

O acadêmico norte-americano adotou uma postura crítica às ações do governo dos EUA em relação à Venezuela, especialmente desde que visitou o país caribenho no final de 2017. Durante uma semana, o enviado independente da ONU se encontrou com representantes de 35 ONGs (Organizações Não-Governamentais), membros do governo, políticos de partidos opositores, deputados aliados e adversários do governo, empresários e representantes de movimentos sociais e de entidades tradicionais da sociedade civil, como a Igreja Católica e familiares de vítimas de violência.

Além disso, ele apurou informações a respeito da situação dos direitos humanos e da economia da Venezuela, concluindo que “não há crise humanitária [VIDEO]” no país (como comentou à rede de televisão Telesur).

Segundo ele, as sanções econômicas implementadas pela administração do presidente estadunidense Donald Trump desde meados do ano passado contra dirigentes do governo venezuelano e a estatal petroleira Petróleos da Venezuela (PDVSA), ao invés de atingir seus supostos alvos, na verdade estão aumentando a crise vivida pelo país.

“As sanções contra a Venezuela têm agravado a crise econômica causada pela queda do preço do petróleo, ao ponto de causar uma grave escassez de medicamentos e alimentos, desabastecimento, demoras na distribuição, etc. Como consequência disso, crianças venezuelanas têm morrido, assim como adultos e idosos”, denunciou ao Últimas Notícias.

Ainda em declarações ao jornal, de Zayas afirmou que existe espaço para o governo venezuelano acusar os EUA de violação dos direitos humanos e de crime contra a humanidade. A ONU estabeleceu mecanismos de apuração e condenação a sanções unilaterais em 2000 e 2015, que se enquadrariam às medidas efetuadas pelo governo norte-americano.

“Em vista de que as sanções não são acidentais, mas planejadas e deliberadas, existe responsabilidade penal, e a situação deve ser elevada à Assembleia-Geral com o objetivo de adotar resoluções que claramente declarem as sanções ilegais e criminosas”, explicou.