"Uma Mulher Fantástica", filme dirigido por Sebastián Lelio, ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro no último domingo, 4, marcando a segunda vez em que o Chile levou a premiação. Esta é, ainda, a primeira vez em que o Oscar vai para uma narrativa sobre uma protagonista transgênera, chamada Marina Vidal, que é interpretada também por uma atriz transgênera, Daniela Vega - anteriormente, todos os filmes vencedores sobre personagens trans traziam atores ou atrizes cisgêneros.

Daniela Vega, de 28 anos de idade, é atriz e cantora, tendo sido uma das convidadas a realizar um número musical durante a premiação.

"Uma Mulher Fantástica" apresenta a trajetória de Marina, uma jovem garçonete que se envolve com Orlando, um homem mais velho, a quem conheceu quando ainda era casado. Com a morte do namorado, Marina precisa lidar com o luto e, ainda, com uma série de humilhações e manifestações de transfobia velada que se dão desde a perda do companheiro.

Ao comentar sobre o filme, Daniela Vega descreve como ele consegue questionar os limites da empatia e fazer com que o público, ao assisti-lo, reflita sobre a maneira como enxerga Marina e de que lugar parte sua visão, com qual personagem se identifica e como isso se traduz na realidade de cada um.

No mesmo discurso, feito durante um encontro com a presidente chilena, a atriz lembrou que ainda não existe, em seu país, uma lei que permita a pessoas transgêneras retificarem seus documentos e serem judicialmente reconhecidas de acordo com o gênero com o qual se identificam.

Nascida em Ñuñoa, distrito de Santiago, Daniela iria receber o prêmio de cidadã ilustre da cidade, mas o prefeito disse que não poderia lhe conceder a honraria porque os documentos da artista se encontram no masculino e com seu nome de batismo.

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LGBT

A equipe do filme foi convidada pela presidenta Michelle Bachelet para visitar o Palácio de La Moneda e, na ocasião, Daniela fez uma crítica contundente à lentidão com que o processo de aprovação da lei de identidade de gênero vem sendo tratado no Chile. O projeto foi votado e aprovado pela Câmara dos Deputados em janeiro, 5 anos depois ter entrado em pauta no Congresso. Ele ainda precisa passar no Senado e, caso aprovado, ser analisado por uma Comissão Mista, para só então a lei passar a valer.

Bachelet reconhece a necessidade de que essa aprovação seja urgente, principalmente porque no domingo, dia 11 de março, a presidenta deixará o cargo, a ser assumido por Sebastián Piñera, notório conservador.

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