Na última quinta-feira (29), circulou o mundo – feito "rastilho de pólvora" – uma suposta afirmação atribuída ao líder máximo da Igreja Católica, Papa Francisco, onde ele teria concedido uma "entrevista" a um repórter italiano chamado Eugenio Scalfari e dito com todas as letras que o "inferno não existe" – algo que ira de encontro com o próprio Catecismo (texto que expõe os fundamentos desta fé, sendo que o capítulo IV do referido compêndio aborda exatamente o tema "inferno") da religião [VIDEO], o qual dita que as almas das pessoas que morrem em estado pecaminoso acabam indo parar em um lugar de sofrimento eterno.

Entretanto, de acordo com o site Catholic News Agency (Agência Católica de Notícias), Scalfari produziu um artigo contendo uma notícia falsa – ou, no termo que se popularizou na atualidade, Fake news.

A própria Santa Sé, composta pelas autoridades que coordenam o funcionamento da Igreja Católica, veio a público para desmentir a informação publicada no jornal [VIDEO] esquerdista La Repubblica, e explicou que o repórter, na verdade, "reconstruiu" uma conversa mantida em uma reunião privada com o Sumo Pontífice por ocasião da Páscoa – ou seja, nenhuma fala do Santo Padre foi reproduzida literalmente.

O peculiar sistema de entrevistas de Scalfari

O encontro que resultou na polêmica disseminada mundialmente é o quinto ocorrido entre Scalfari e Francisco, e em ocasiões anteriores, o jornalista já havia deturpado diálogos mantidos com o Papa.

Em outubro de 2013, por exemplo, o repórter de 93 anos de idade – que é ateu – publicou citações controversas atribuídas a Sua Santidade, e um mês depois do alarde causado, ele admitiu que pelo menos algumas palavras do artigo em questão "não eram compartilhadas pelo próprio Papa".

No mesmo ano, Scalfari afirmou em uma reunião da Associação de Imprensa Estrangeira de Roma que não usava nenhum dispositivo de registro (tais como gravadores) em suas entrevistas, e nem tomava notas a respeito do que a pessoa com quem ele conversava estava falando. Naquele encontro, ele confessou: "Eu tento entender a pessoa que estou entrevistando, e depois escrevo suas respostas com minhas próprias palavras".

De fato, sobre a temática "inferno", o jornalista já havia feito relatos falsos no ano de 2015, quando divulgou – exatamente como aconteceu recentemente – que o Sumo Pontífice havia negado a existência do tenebroso local para onde vão, segundo a crença cristã, as almas dos pecadores que não se arrependem dos males que causaram em vida.