Depois de décadas de tensão, as Coreias do Norte e do Sul parecem finalmente próximas de estabelecer a paz. Em encontro histórico realizado nesta sexta-feira, dia 27, o presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in; e o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, se comprometeram a assinar um acordo de paz que deve acabar oficialmente com a guerra entre as duas nações, interrompida desde o armistício de 1953. As informações são do portal G1 e de agências de notícias internacionais.

Em uma declaração conjunta concedida em Panmunjon, zona desmitilarizada na fronteira entre os dois países, os líderes também afirmaram que irão trabalhar pela desnuclearização da região.

Durante o encontro, os representantes das nações também decidiram cessar qualquer ato hostil na região, além da transformação da zona desmilitarizada em uma zona de paz. Também está prevista no acordo a participação conjunta das nações em eventos esportivos, como os Jogos Olímpicos, além da realização de uma reunião entre famílias separadas pela guerra, em agosto, entre outras medidas que visam encerrar a tensão na região e reestabelecer a paz.

"O Norte e o Sul vão cooperar ativamente para estabelecer um sistema de paz permanente e estável na Península Coreana", diz o comunicado conjunto assinado pelos dois líderes.

Moon também anunciou que irá visitar a capital da Coreia do Norte, Pyongyang, no próximo outono. Caso a visita se confirme, Moon será o terceiro presidente do Sul a visitar o Norte desde o fim da guerra.

Antes, Kim Dae-Jung visitou o país em 2000, e Roh Moo-hyun esteve na Coreia do Norte em 2007.

No início da reunião, Kim Jong-un convidou Moon a ir até o lado Norte da fronteira, o que foi aceito pelo presidente sul-coreano. Os dois líderes se dirigiram então ao lado Sul, onde a reunião foi realizada no edifício conhecido como Casa da Paz, mesmo local onde o cessar-fogo de 1953 foi assinado. No local, Kim assinou um livro de visitas, onde deixou uma mensagem que mostra que a paz está mesmo próxima de ser oficializada entre as duas nações.

“Uma nova história começa agora - no ponto inicial da história e na era da paz”, escreveu o líder norte-coreano. Presidente da Coreia do Sul, Moon disse estar feliz por conhecer Kim. Juntos, os chefes de Estado também plantaram uma árvore na zona desmilitarizada, sob a qual foi colocada uma pedra com o nome dos dois líderes e a frase “plante paz e prosperidade”.

Último presidente a visitar a Coreia do Norte, Roh Moo-hyun também realizou o gesto de plantar uma árvore com o líder do Norte, em 2007.

Na ocasião, o país era liderado por Kim Jong-il, pai de Kim Jong-un. O antigo líder faleceu em 2011, aos 70 anos de idade. Antes dele, a Coreia era comandado pelo avô de Kim Jong-un, Kim Il-Sung, conhecido como Grande Líder.

Il-Sung foi também o responsável por assinar o armistício que gerou o cessar-fogo na guerra entre os dois países. Apesar do pacto, as Coreias do Norte e do Sul ainda continuam tecnicamente em guerra. Com os avanços desta sexta, é real e palpável a expectativa de que o conflito seja encerrado após 65 anos.

Encontro de paz entre as Coreias gera repercussão internacional

A histórica reunião entre os dois líderes coreanos gerou repercussão diplomática em todo o mundo. Em comunicado, a Casa Branca afirmou que deseja “o melhor ao povo coreano”, dizendo que os Estados Unidos acreditam que os dialógos podem gerar “um futuro de paz e prosperidade” na Península Coreana.

Em seu Twitter, Trump também falou sobre o encontro. “Coisas boas estão acontecendo, mas só o tempo irá dizer”, postou o presidente americano.

Outros países como Rússia, China e Japão também se manifestaram de maneira favorável ao encontro que marca o início da paz entre as Coreias.