No filme A Origem (2010), protagonizado pelo ator Leonardo DiCaprio, os personagens auxiliados por um complexo aparelho são capazes de entrar nos sonhos das pessoas fazendo-as acreditar que a experiência é real.

Embora não exista equipamento para isso, ainda, o cientista Adam Horowitz e seus colegas do MIT Media Lab – laboratório situado nos Estados Unidos [VIDEO] voltado ao desenvolvimento de tecnologias futuras - acabam de criar uma máquina chamada Dormio. Ela permite controlar os sonhos.

Em entrevista à revista norte-americana [VIDEO] do grupo Vice, em 23 de abril, Horowitz comenta o assunto. Explica que o equipamento entra em ação quando a pessoa está semilúcida.

Conhecido na psicologia pelo termo hipnagogia - estado diferenciado de consciência que surge na transição entre a vigília física e o sono caracterizado pela semiconsciência, este estágio acontece quando estamos prestes a dormir, entre o sono e a vigília.

A máquina, que consiste em sensores e numa luva usada pelo usuário, além de um equipamento ao lado da cama para influenciar subliminarmente os sonhos, tem objetivo de estimular o pensamento criativo.

Como funciona?

Sensores na palma da luva e no couro cabeludo monitoram o sono do paciente, que precisa fechar as mãos enquanto dorme para pressioná-los. Quando o dorminhoco começa a afrouxar as mãos eles detectam que o usuário está relaxando. Nesse momento os padrões de ondas cerebrais começam a mudar. A partir daí o aparelho começará a emitir um ruído.

Ao usarem oito cobaias para o experimento, pesquisadores descobriram que elas absorvem as sugestões no estado de hipnagogia. Ou seja, se a máquina emitir palavras do tipo “cachorro” ou “martelo”, esses objetos farão parte dos sonhos das pessoas conectadas ao equipamento de baixo custo.

“De acordo com os resultados de Horowitz, todos os sujeitos se lembraram e relataram ter visto a palavra sugerida durante o estado de sonho, mostrando início bem-sucedido e evocação de estímulos no dito estado onírico”, destaca o jornal britânico Daily Mail.

Um dos participantes (nome não revelado) comenta a estranha sensação de ter o sonho influenciado pelo aparelho. “Senti que não estava realmente em lugar algum, neste espaço em nenhum lugar onde todas essas ideias existem, e fazia muito sentido que todas essas ideias existissem neste espaço do nada".

Talvez, num futuro próximo a máquina ajude pessoas com estresse pós-traumático a se livrar dos pesadelos.Ainda não há previsão de lançamento.Contudo, o cientista acrescenta que ele e a equipe estão trabalhando para deixá-la ainda mais moderna e acessível.

“Horowitz disse que a terceira geração funcionará apenas monitorando o movimento das pálpebras em sujeitos adormecidos. O objetivo é tornar o Dormio o mais confortável, barato e não invasivo possível para tornar mais fácil para o usuário adormecer enquanto o usa”, informa a reportagem da Vice.