Os pesquisadores afirmam ter encontrado evidências [VIDEO] do maior incidente de sacrifício de crianças das Américas e provavelmente seja um dos maiores do mundo. As descobertas apontam que mais de 200 crianças e adolescentes chimús, foram sacrificadas em um ritual praticado há 550 anos atrás. O local no qual os supostos sacrifícios foram realizados fica localizado em um penhasco na margem do oceano Pacífico, ao norte do Peru.

Uma equipe de arqueólogos internacionais está no local, recolhendo evidências e restos arqueológicos pertencentes a civilização do local que fazia parte do Império Chimú. Na ocasião, arqueólogo Gabriel Prieto, da Universidade Nacional de Trujillo (Peru).

responsável pelas investigações, está recebendo suporte do pesquisador John Verano, da Universidade de Tulane (EUA). Novas descobertas deverão ser publicadas em breve.

O Império Chimú

Pesquisas anteriores já comprovaram que a prática do ritual humano era muito comum entre as civilizações antigas como, os maias, astecas e os incas. Agora com a recente descoberta é possível estimar que os sacrifícios realizados pelos chimús é sem precedentes o maior de todos. Durante o seu auge, essa civilização dominou uma área de 940 quilômetros, que se estendeu pela costa do pacífico até a atual capital Lima.

Estima-se que na época apenas os incas possuíam um império maior. E foi esse o império o grande responsável por dar um fim à civilização chimú em 1475 d.C.

O sacrifício

As escavações realizadas em 2016, encontrou mais de 140 restos mortais de crianças.

De acordo com os exames laboratoriais, estima-se que as crianças foram sacrificadas entre os anos de 1400 e 1450 dC. Os restos mortais das crianças mostraram evidências de cortes na região externa. Também foi possível identificar a separação das costelas.

Estima-se que a região toráxica das vítimas foi aberta para a retirada do coração. As marcas em que os cortes foram feitos, mostram que o executor do ritual tinha um grande conhecimento no assunto. No local também foi possível identificar os retos mortais de um homem adulto e duas mulheres que também foram sacrificados em rituais. Por outro lado, foram encontrados marcas de traumatismo craniano nas vítimas. Isso dá a entender de que elas foram mortas de outra forma.

Quem eram as vítimas

Os exames realizados com teste de carbono confirmaram que algumas dàs vítimas tinham entre 5 a 14 anos de idade. Sendo que a grande maioria possuía entre 8 e 12 anos, e estavam enterradas na parte oeste de frente para o oceano. As vítimas mais precoces, como recém nascidos de 18 meses, estavam enterradas na parte oeste do cemitério.

Por que sacrifícavam às pessoas?

No momento, os pesquisadores não sabem explicar com maiores detalhes, porque os chimús praticavam o sacrifício em massa. De acordo com o professor Haagen Klaus, professor de antropologia da Universidade George Mason (EUA), ele estima que o sacrifício das crianças começou a ocorrer, depois que os sacrifício de adultos não estava surtindo efeito para afastar as possíveis perturbações do fenômeno El Niño.

Levando-se em consideração que as civilizações pré-colombianas associavam esses fenômenos atmosféricos, como manifestações dos deuses. Então sacrificavam aquilo de maior valor para as suas vidas, na esperança de acalmar as forças sobrenaturais.. Entretanto as chuvas torrenciais continuavam a chegar. Foi então que decidiram a ofertar aos seres sobrenaturais um novo tipo de oferenda.

Uma camada de lama encontrada durante as investigações, sugere que a civilização teria sofrido com as enchentes. Também estima-se, que as altas temperaturas do oceano Pacífico tenha atrapalhado à pesca. Enquanto as inundações afetaram sua agricultura. Desde o início das escavações, os pesquisadores já encontram inúmeros cemitérios contendo vestígios de sacrifícios infantis que vão lhamas, antiga capital do Império Chimú, até a antiga cidade de Huanchaco. Levando-se em consideração que a partir de agora, todos os locais contam com o apoio da National Geographic Society.