Segundo informações da rede BBC e do The Guardian, as tensões crescentes entre alguns países do Ocidente liderados pelos Estados Unidos e a Rússia levaram o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Antonio Guterres, a declarar de forma preocupante que "a Guerra Fria está de volta com uma vingança". Além disso, Guterres destacou que agora existe um agravante: "Os mecanismos e as salvaguardas para gerenciar os riscos de escalada [de conflito] que existiam no passado já não parecem mais estar presentes".

O confronto ao qual o secretário-geral se referiu ocorreu após a Segunda Guerra Mundial (período entre 1945 e 1991), quando disputas indiretas e estratégicas entre EUA e União Soviética provocavam o medo de que ocorresse uma guerra nuclear total com consequências catastróficas.

O atual clima hostil entre Washington e seus aliados na Europa (de forma especial Grã-Bretanha e França) com relação ao Kremlin alcançou o atual patamar por causa do alegado ataque químico ocorrido no último sábado (7) em Douma, cidade situada na Síria – país cujo governo, chefiado por Bashar al-Assad, conta com o apoio de Vladimir Putin –, onde morreram mais de 40 pessoas.

Em retaliação ao referido incidente, foi colocado em prática nesta sexta-feira (13) um ataque militar coordenado pelos EUA, em colaboração com Reino Unido e França, a locais onde armas químicas sírias seriam fabricadas. Relatos atestam que explosões foram ouvidas nas proximidades de Damasco, capital daquele país.

A premiê britânica, Teresa May, confirmou o envolvimento de sua nação na investida, e afirmou que já não havia "alternativa viável além do uso da força".

Uma verdadeira "troca de farpas"

A inimizade entre Putin e May já vinha crescendo ultimamente por causa da questão dos ex-espiões russos que foram envenenados em solo inglês, o que gerou acirramento de ânimos e uma intensa troca de acusações entre o Kremlin e Downing Street, onde uma parte acusa a outra de ser a autora do atentado.

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Curiosidades

Para piorar ainda mais o quadro, em uma reunião do Conselho de Segurança da ONU também ocorrida nesta sexta-feira (13), o general Igor Konashenkov, que é porta-voz do Ministério da Defesa da Rússia, acusou os britânicos de terem "falsificado" o bombardeio a Douma para colocarem a culpa em Assad e nos russos, declarando: "Temos provas de que a Grã-Bretanha estava diretamente envolvida na organização dessa provocação".

A embaixadora do Reino Unido na ONU, Karen Pierce, rebateu essa versão da história, e afirmou: "Isso é grotesco, é uma mentira descarada, é uma das piores fake news que já vimos partir da máquina de propaganda da Rússia".

Acusações dos países ocidentais

Por outro lado, embaixadores de França e Estados Unidos – François Delattre e Nikki Haley, respectivamente – disseram que tinham provas de que o bombardeio à cidade de Douma partiu do governo sírio. Delattre havia declarado que Assad já tinha "passado do ponto sem retorno" no uso ilegal de armas químicas, o que dava suporte para que a França assumisse a responsabilidade de "acabar com uma ameaça intolerável" à segurança coletiva.

Na reunião do Conselho de Segurança da ONU, Haley concordou com seu aliado francês, mas ressaltou que qualquer atitude concreta devia ser colocada em prática com cautela.

Ela disse: "Nós definitivamente temos provas suficientes, mas agora temos que ser cuidadosos em nossa ação".

Contudo, de acordo com a BBC, figuras do alto escalão da Rússia haviam dito que mísseis americanos com destino à Síria seriam abatidos, e que os locais de lançamento desses foguetes seriam alvos de um contra-ataque caso pessoal russo ficasse sob ameaça.

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