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Quando se fala de abuso sexual contra crianças [VIDEO], na maioria das vezes, se forma na mente das pessoas a imagem de um homem adulto agindo contra menores de idade. No entanto, mulheres também cometem esses atos condenáveis [VIDEO], e de acordo com o Mail Online, um senhor de 76 anos decidiu sair do anonimato e contar ao mundo sua experiência traumática, revelando como foi repetidamente estuprado por uma freira católica.

Atualmente, Edward Hayes vive em Carlisle, cidade localizada no norte da Inglaterra, e não teve uma infância fácil. No começo de sua vida passou fome e chegou a sofrer desnutrição – assim, ele acreditou ter sido uma bênção quando, aos 10 anos, foi levado para orfanato chamado Lar John Reynolds (John Reynolds Home), localizado no condado de Lytham St Annes, em Lancashire (também em solo inglês), o qual era administrado por freiras da ordem das Missionárias Franciscanas de São José.

De fato, os dois anos seguintes foram muito agradáveis, segundo disse o próprio Hayes: "Foi bom estar em um lugar aquecido, onde eu estava comendo e tomando banhos quentes. Meus primeiros dois anos lá geraram ótimas lembranças para mim".

Entretanto, tudo mudou em 1954,quando a Irmã irlandesa Mary Conleth, então com 27 anos, chegou ao local.

Estupros e gravidez

Mary Conleth passou a ser a encarregada da lavanderia do Lar John Reynolds, e pediu que Edward Hayes a ajudasse. O garoto de 12 anos era constantemente deixado sozinho com a freira, e foi em uma dessas ocasiões que o primeiro estupro aconteceu.

Hayes contou que Conleth abaixou suas calças, o empurrou para o chão e deitou sobre ele. O adolescente não permitiu que a agressora o beijasse, pois acreditava ingenuamente que mulheres engravidavam justamente quando eram beijadas na boca.

Aos 14 anos, o garoto ganhou seu próprio quarto – algo inédito no orfanato –, mas isso foi arranjado pela freira, de modo que ela pudesse visitá-lo em particular quando todos os outros habitantes do lugar iam dormir.

Os abusos só chegaram ao fim em abril de 1956, quando Mary Conleth revelou que estava grávida. Ela foi mandada de volta para a Irlanda, onde passou a morar com a sua irmã, e Hayes acabou sendo banido do lar no Natal daquele mesmo ano.

Vida adulta e busca por justiça

Edward Hayes foi adotado por uma família, e se tornou alcoólatra aos 21 anos. Ele teve dois filhos em um casamento que rapidamente fracassou, e serviu na Artilharia Real do Exército britânico – onde permaneceu até 1969, quando desenvolveu uma úlcera por causa da bebida, sendo então dispensado do serviço militar por motivos médicos.

Durante todo este tempo, o homem não contou a ninguém sobre os abusos – nem mesmo para a esposa –, e foi somente em 1998 que ele começou a buscar por justiça, depois que leu um artigo sobre uma pessoa que passou por experiências semelhantes às suas.

Hayes foi à polícia, procurou por um assistente social, visitou um parlamentar local e, anos depois, foi encaminhado a um grupo de apoio chamado Minister and Clergy Sexual Abuse Survivors – MACSAS, ou "Sobreviventes de Abusos Sexuais cometidos por Pastores e pelo Clero" em tradução livre, que dá suporte a cristãos violentados por religiosos. Em 2010, o homem conheceu Noel Chardon – que também foi molestado –, o qual o ajudou a procurar por seus direitos, e em 2012 ele acusou a Igreja Católica em um tribunal, sendo indenizado em £ 20.000 (pouco mais de R$ 93.700), dos quais ele ficou com apenas £ 5 mil após pagar advogados e outras despesas do processo.

De acordo com Hayes, o importante não foi o dinheiro, e sim o reconhecimento de que ele sofreu nas mãos da Irmã Mary Conleth – a qual faleceu em 2002. O idoso ainda não sabe o que aconteceu com a criança que ela concebeu, e está em contato com organizações da Irlanda para tentar descobrir seu paradeiro.

Um porta-voz da ordem das Missionárias Franciscanas de São José pediu desculpas públicas ao homem por tudo o que ele enfrentou, ressaltando que "não há lugar para abusos na Igreja" e que, atualmente, existem "rigorosas políticas de salvaguardas que visam impedir qualquer possível repetição do que aconteceu com o Sr. Hayes".