De acordo com informações da rede BBC e do Oxford Mail, uma mulher britânica [VIDEO] foi presa nesta sexta-feira (27) após ter sido considerada culpada por negligenciar a própria mãe em um caso chocante de extrema omissão, no qual a mulher idosa, que apresentava problemas mentais, sofreu por 10 longos anos confinada em um sofá até morrer.

O julgamento de Emma-Jane Kurtz, 41, que residia na cidade de Didcot, situada em território inglês, ocorreu no Tribunal da Coroa de Oxford (Oxford Crown Court), e o juiz à frente do processo, Peter Ross, chegou à conclusão de que a ré – que trabalhava justamente como procuradora especializada em cuidar de clientes idosos – era responsável por negligência intencional contra Cecily Kurtz, que faleceu aos 79 anos de idade.

A terrível descoberta

Apesar de o veredito só ter saído agora, o caso foi descoberto em julho de 2014. Naquela época, paramédicos foram chamados para atender a uma emergência solicitada por Emma-Jane, e quando chegaram à residência que ela dividia com a mãe, encontraram uma cena chocante.

Os socorristas se depararam com Cecily já morta, e ela estava suja da cabeça aos pés com seus próprios dejetos. Os excrementos haviam se "entranhado" em suas mãos, pés e rosto, e a idosa apresentava queimaduras nas pernas e nas costas, causadas pela urina à qual foi exposta durante tanto tempo.

Quando os paramédicos a puxaram para fora do sofá, as suas calças – as mesmas que ela usava sem trocar há 10 anos – literalmente se desmancharam, e a roupa íntima, que era originalmente branca, havia adquirido um tom castanho escuro.

Além disso, foi constatado que o cadáver de Cecily pesava somente 39 quilos.

Autismo e condenação

Durante o julgamento, Clare Wade, que atuou como advogada de Emma-Jane, revelou que sua cliente era portadora de autismo moderado e apresentava "comportamento de evitação" (um tipo de distúrbio mental). A própria ré também tentou argumentar a seu favor, e disse ao júri que só não procurou ajuda médica e psiquiátrica para a mãe – que sofria de depressão e transtorno obsessivo compulsivo – porque Cecily lhe implorou para que esse tipo de auxílio fosse evitado.

Mesmo levando o fator do autismo em consideração, o juiz Peter Ross disse acreditar que a acusada possui a capacidade de demonstrar empatia – ou faculdade de "se colocar no lugar de outra pessoa" –, e neste caso específico, compreender que a mãe estava sofrendo.

Deste modo, Ross afirmou que era "com grande tristeza" que ele considerava Emma-Jane culpada. O magistrado enfatizou que não estava condenando a filha pela morte de Cecily, mas pelo tempo prolongado de negligência ao qual ela expôs a idosa.

Assim, foi estabelecida uma sentença de dois anos e meio de prisão, metade da qual deverá ser cumprida em regime fechado – sendo que o restante da pena poderá ser pago através de trabalhos comunitários.