Vladmir Putin foi eleito presidente da Rússia pela quarta vez nas últimas eleições do país em uma eleição marcada pela polêmica. Sem nenhum adversário com grande expressão, Putin foi eleito com mais de 70% dos votos. Ocorre que o principal candidato de oposição russo, Alexei Navalny, foi proibido de concorrer devido a legislação russa que proibe que pessoas condenadas pela justiça se candidatem (semelhante ao que deverá ocorrer com o ex presidente Lula caso seja enquadrado na lei da ficha limpa). A oposição alega que a condenação foi uma farsa apenas para impedir que o principal adversário de Putin pudesse enfrentá-lo.

Tendo isso em mente os partidos de oposição, sob a liderança de Navalny (que é acusado de ter sido financiado pelos EUA [VIDEO]), se uniram para protestar em diversas cidades do país na data de hoje, 05 de maio, 03 dias antes de Putin ser empossado no seu quarto mandato como presidente.

Ocorre que na Rússia, assim como no Brasil, os protestos precisam ser autorizados pelo governo. O governo russo, visando ao enfraquecimento da oposição, permitiu a ocorrência das manifestações em cidades menores mas proibiu sua realização nas principais cidades, especialmente na capital, Moscou, e em São Petersburgo, a segunda maior e mais importante cidade russa.

Os opositores ignoraram a proibição e protestaram em várias cidades. A Polícia reagiu: 702 pessoas teriam sido presas em Moscou e outras 232 em São Petersburgo, e mais de 500 pessoas em outras regiões do país. Os números foram informados pela organização OVD-Info, que monitora prisões russas.

Já as autoridades russas mencionam apenas 200 prisões em São Petersburgo e outras 300 em Moscou. A entidade não esclareceu se essas pessoas foram detidas e liberadas depois ou se foram mantidas presas, o que pode explicar a diferença nos números das 02 partes.

A entidade acrescentou que muitos adolescentes estão entre os detidos. Informou ainda que algumas pessoas apresentavam arranhões e leves escoriações e que no mínimo uma pessoa foi hospitalizada.

O líder da oposição russa planejava discursar para os protestantes em Moscou, mas sequer conseguiu chegar até o microfone. Assim que chegou no local dos protestos foi aplaudido pelos manifestantes mas logo que foi identificado pela polícia foi cercado e preso. A polícia usou gás lacrimogênio para dispersar os manifestantes. Entidades de defesa dos direitos humanos condenaram o uso excessivo da força pela polícia.

Apesar da prisão, milhares de pessoas protestaram em todo o país contra a posse de Putin. As pessoas gritavam "Fora Putin!", "Putin, ladrão!", "A Rússia será livre!" e "Abaixo o czar!" (um deboche em referência a forma como eram chamados os reis da Rússia até o início do século XX).

Em Moscou houve também protestos em defesa do presidente russo, mas com menor adesão. Houve até mesmo ameaça de confrontação entre os 02 grupos, mas a polícia isolou os manifestantes.