Quatro atentados no Afeganistão deixaram quase 40 mortos e 62 feridos nesta segunda-feira (30). O primeiro ataque foi registrado às 8 horas da manhã, no Centro de Cabul [VIDEO], capital do país, próximo à sede do serviço secreto afegão e a embaixada dos Estados Unidos.

Um homem-bomba que dirigia uma motocicleta deixou quatro mortos. Meia hora depois, as equipes de policiais e de resgate que faziam o atendimento das vítimas foram surpreendidos por um segundo ataque.

Um homem que portava uma credencial de imprensa, passando-se por repórter, detonou outra bomba. Sete pessoas, quatro policiais e também nove jornalistas foram atingidos.

Os dois episódios somaram 45 feridos.

Pouco tempo depois, às 10h30, 17 soldados de um comboio da Otan (Organização do Atlântico Norte), sendo cinco romenos, ficaram feridos após outro artefato explosivo ter sido detonado. Este ataque também atingiu crianças e outros civis após o muro de uma mesquita desmoronar pela explosão.

Outro ataque também foi registrado poucas horas depois na província de Khost. Um jornalista da rede britânica BBC foi morto a tiros quando voltava para a casa. Os suspeitos ainda não foram identificados.

O Estado Islâmico [VIDEO] assumiu, por meio de sua agência de propaganda, Amaq, a autoria dos ataques, aumentando ainda mais a tensão no Oriente Médio.

Um investigação completa sobre os ataques nesta segunda-feira foi pedida pelo Comitê de Segurança dos jornalistas afegãos.

De acordo com o órgão, os ataques têm como objetivo ferir a liberdade de imprensa no Afeganistão.

A cidade de Cabul possui mais 3.500 anos de história, mas os conflitos, porém, não são fatos recentes. Ela foi disputada por sua vantagem de localização estratégica ao longo das rotas comerciais da Ásia Central e Meridional.

A população estimada em 2009 era de mais 3,5 milhões de habitantes. De acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas), a capital se tornou o local mais perigoso do Afeganistão para os civis, devido ao aumentos do número de atentados, que geralmente são cometidos por homens-bomba e ordenados pelos talibãs ou pelo grupo extremista El.

Diversos países do mundo investiram bilhões para derrotar os combatentes do Talibã, que conseguiram governar o Afeganistão entre 1996 e 2001. O grupo também acolheu o terrorista Osama Bin Laden, morto em 2 de maio de 2011 pela Operação Lança de Neptuno.

Somente os Estados Unidos gastaram cerca de US$ 17 bilhões desde 2001 durante a ação de tropas para combater os talibãs, investimento que não foi suficiente para conter o avanço do grupo, que já se encontra ativo em 70% do Afeganistão.