O estudante Dimitri Pagourtzis, de 17 anos, abriu fogo contra os alunos e funcionários da Santa Fé High School [VIDEO], no Texas, Estados Unidos, resultando na morte de nove alunos e um professor, além de 13 feridos. O atentado ocorreu na quinta-feira (17).

Em depoimento, o atirador declarou que pretendia cometer suicídio, mas no último momento mudou de ideia, pois lhe faltou coragem.

Os amigos de Dimitri afirmam que ele sempre foi um aluno acima da média, muito quieto e amoroso. Uma amiga, entretanto, fez uma revelação que pode explicar parte da revolta do aluno, para ela o jovem era vítima de bullying.

A polícia ainda não declarou o que motivou o Ataque, mas tudo indica que o aluno carregava uma revolta provocada pelos constantes ataques que sofria.

Dimitri revelou ainda em depoimento que poupou os amigos de que gostava, levando à compreensão de que o atirador entrou na escola sabendo quem mataria, ou ao menos quem não mataria.

Bullying: o crime silencioso que provoca grandes tragédias

O bullying é uma prática muito comum no ambiente escolar, que pode ser praticado por uma pessoa ou por um grupo contra uma vítima ou contra outro grupo.

Três elementos integram a prática criminosa, quais sejam, o agressor, a vítima e o espectador.

O agressor, geralmente é o valentão da turma, que se vale de sua força física e bravura para ganhar popularidade entre seus pares, ameaçando e agredindo suas vítimas. Escolhe a vítima por algo que julga ser diferente, como a cor da pele, a condição social, a opção sexual, alguma deficiência física ou marca de nascença.

A vítima pode ser classificada como vítima típica, vítima provocadora e vítima agressora. A vítima típica é a preferida pelo agressor, pois trata-se de uma pessoa introvertida e pouco sociável, que sofre em silêncio sem reagir às agressões sofridas. O agressor percebe essa fraqueza e ataca na certeza de que não irá sofrer um revide.

A vítima provocadora é aquela que chama à atenção para si, provoca o agressor. Tenta reagir às agressões sofridas, mas não consegue fazer cessar. Trata-se de uma pessoa hiperativa, impulsiva e imatura. Devida ao seu comportamento, por vezes acaba levando à culpa pela briga, dessa feita o agente do Bullying [VIDEO] fica isento da responsabilidade.

Já a vítima agressora é aquela que sofre às agressões sem reagir, mas escolhe alguém mais fraco fisicamente para descontar, vingar as agressões sofridas, dessa forma passa de vítima para agressor.

O espectador é aquele que assiste as cenas de violência causadas pelo bullying e isso se dá de diferentes formas. O espectador passivo é aquele que assiste sem nada fazer, embora seja contra as agressões.

O espectador neutro se mostra indiferente ao caso, não se importa com a vítima ou com o agressor.

O terceiro tipo é o espectador ativo, este participa indiretamente das agressões, vez que ri e faz comentários maldosos a vítima que sofre o bullying, agindo dessa maneira acaba incentivando o agressor em sua prática.

Por fim, o espectador agente demonstra solidariedade com a vítima e tenta dar conselhos a esta ou até mesmo denuncia o agressor às autoridades competentes.

A reação violenta da vítima do crime de bullying

Na maioria das vezes a vítima do bullying sofre por anos às humilhações e agressões verbais e físicas, essa violência constante alimenta um misto de inferioridade, fraqueza, impotência, ao mesmo tempo que vai crescendo em sua mente um sentimento de revolta, de vingança. Alguns conseguem superar o trauma com o apoio e carinho da família, entretanto, outros não superam esse trauma.

Essa crescente revolta, se não tratada a tempo pode ocasionar grave transtorno emocional à vítima do bullying, podendo causar um surto psicótico [VIDEO], o que pode levar a pessoa a cometer um ato mais violento do qual foi vítima, como o praticado pelo adolescente Dimitri Pagourtzis na quinta-feira (17). Quando a vítima de bullying reage pode causar uma grande tragédia.