Antes restrito a filmes e a livros de ficção científica, os universos paralelos eram ridicularizados pela ciência [VIDEO]. Porém, com o avanço de novas pesquisas e tecnologias para exploração espacial, estudiosos começaram a aceitar a possibilidade.

Conduzida pela Universidade de Durham, no Reino Unido, e pela Universidade de Sydney, na Austrália, a pesquisa divulgada em 14 de maio no site da universidade britânica, aponta que a vida pode ser comum nos multiversos – se eles existirem.

Acadêmicos envolvidos no trabalho acreditam que um enigmático fenômeno, cuja compreensão ainda carece de dados empíricos, possibilite o surgimento de vida em outros universos.

“A chave para isso é a energia escura, uma força misteriosa que está acelerando a expansão do universo”, destaca a Durham University.

Ao usarem complexas simulações de computador do cosmos, estudiosos descobriram que, ao adicionar maiores quantidades de energia escura à observada atualmente em nosso universo, outros poderiam surgir.

“Isso abre a perspectiva de que a vida poderia ser possível em uma ampla gama de outros universos, se existirem. As simulações foram produzidas no âmbito do projeto EAGLE [Evolução e Montagem de GaLaxias e seus Ambientes] - uma das simulações mais realistas do Universo observado”, dizem os envolvidos no trabalho.

Dúvida permanece

Quando o assunto é energia escura existe um paradoxo ainda pouco compreendido entre os cientistas.

Segundo explica o professor Richard Bower, do Instituto de Cosmologia Computacional da Universidade de Durham, “A formação de estrelas em um universo é uma batalha entre a atração da gravidade e a repulsa da energia escura”.

Bower acrescenta que as simulações evidenciaram um aspecto chave relacionado a essa misteriosa força. De acordo com ele, universos com enormes quantidades de energia escura foram capazes de gerar estrelas em um novo universo.

Esse aspecto intriga o cientista pelo fato do nosso universo conter ínfimas quantidades dessa força. Ou seja, ele não compreende como a vida surgiu em nossa realidade. “Então, por que uma quantidade tão insignificante de energia escura em nosso universo? Acho que deveríamos estar procurando uma nova lei da física para explicar essa estranha propriedade do nosso universo”, comenta.

Divergências continuam

Apesar da simulação comprovar a capacidade de outros universos existirem a partir de grandes quantidades de energia escura, uma pergunta põe a teoria em xeque: onde está essa força?

De acordo com Dr.Pascal Elahi, pesquisador da University of Western Australia, se vivemos em um multiverso deveria haver muito mais energia escura do que a encontrada.“Talvez 50 vezes mais do que vemos em nosso universo”, observa.

O trabalho foi financiado pelo Conselho de Instalações de Ciência e Tecnologia do Reino Unido, pelo Conselho Europeu de Pesquisa, pela Organização Holandesa para Pesquisa Científica, pela Fundação John Templeton, pelo Centro Internacional de Pesquisa em Radioastronomia e pelo Centro Australiano de Excelência em Pesquisa para Astrofísica do Céu.

Os resultados foram publicados na revista científica Monthly Notices da Royal Astronomical Society.