Já pensou em estar em uma fazenda na qual você, ao invés de presenciar a criação de animais, se deparasse com um campo repleto de pessoas mortas dispostas nas mais diferentes situações – penduradas em árvores, deitadas na relva ou até mesmo colocadas dentro de uma lagoa –, sendo que cada indivíduo estaria em um estágio diferente de decomposição? Por mais sinistro [VIDEO] que pareça, de acordo com informações dos sites Telegraph e Mail Online, é exatamente isso o que alguns ministros pertencentes ao governo do Reino Unido [VIDEO] estão pensando em inaugurar naquele país: uma verdadeira fazenda de cadáveres.

Mas calma, pois o cenário descrito acima, apesar de ser assustador, tem uma finalidade prática: o objetivo é criar um espaço para que a assim chamada tafonomia, ou ciência da decomposição, seja desenvolvida com o intuito de que cientistas e peritos forenses possam descobrir, através do estudo de cadáveres doados por voluntários (os quais obviamente consentiram com essa contribuição ainda em vida), como determinados seres humanos vieram a falecer.

A ideia é que os estudos conduzidos na fazenda auxiliem na esfera das investigações policiais, uma vez que as informações colhidas poderiam ajudar na solução de casos de crimes nos quais ocorreram assassinatos.

Benefícios científicos

A antropóloga Anna Williams, da Universidade de Huddersfield, localizada na Inglaterra, revelou que está em negociações com a Human Tissue Authority – HTA, ou "Autoridade de Tecidos Humanos" em tradução livre –, entidade governamental responsável por autorizar doações de órgãos e de medula óssea no Reino Unido, além de regular as organizações britânicas que removem, armazenam e usam tecido humano de cadáveres em pesquisas, tratamentos médicos e exames post mortem, entre outras atribuições, e da qual depende a aprovação para a concepção da fazenda de corpos.

Anna afirmou que a pesquisa advinda do projeto ajudaria no campo científico "de várias maneiras".

Sobre essa questão, ela esclareceu: "Poderíamos saber com mais precisão quando alguém morreu, além de podermos identificar criminosos em potencial, digamos, a partir de impressões digitais ou de DNA [presente] em pele decomposta".

Segundo o Mail Online, um porta-voz da HTA disse que as leis britânicas atuais envolvendo o tratamento de tecidos humanos ainda não cobrem a criação de fazendas de cadáveres, mas ressaltou que a entidade está monitorando continuamente esta área e fornecendo conselhos pertinentes a respeito do tema.

Austrália, Estados Unidos e Holanda já possuem este tipo de fazenda, e os espaços costumam ser usados para ajudar na solução de casos policiais envolvendo mortes que já aconteceram a um tempo considerável, mas que continuam "em aberto" e sem solução.