A ONG (organização não governamental) Não Toque no Meu Filho divulgou um caso de abuso sexual em uma mesquita em Al Haouz, localizada no Sul do Marrocos. Segundo a informação, um ímã (líder religioso) abusava sexualmente de crianças na faixa de 7 a 12 anos de idade. Ao todo, o acusado teria abusado de sete menores.

O acusado lecionava o Corão em uma mesquita na cidade de Setti Fatma, situa-se no Centro-Sudoeste do Marrocos, a 60 quilômetros da cidade Marraquexe.

A denúncia foi revelada porque uma jovem de 17 anos contou que também havia sido violentada na infância pelo homem, quando tinha 8 anos de idade.

O pai de uma das vítimas entrevistadas explicou que o acusado sempre selecionava uma menina, a qual pedia que saísse da sala de aula para realizar outra atividade em um cômodo da mesquita. O acusado, então, a seguia e praticava atos libidinosos com a vítima.

Cultura do abusos no país

O Marrocos tem uma imagem negativa quando o assunto é lei de proteção à mulher. Segundo o jornal britânico Daily Mail, as mulheres são aconselhadas a se vestir complemente cobertas, uma ironia se comparada às altas taxas de abusos que ocorrem no país.

Embora o Estado e a sociedade não interfiram muito no combate à violência sexual, algumas vezes, o governo do Marrocos reagiu às inúmeras denúncias e pressões da sociedade após vários casos de violência sexual contra mulheres.

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Religião

Porém, um número pífio de abusadores são presos.

Em 2013, o então rei Mohamed VI absolveu um pedófilo condenado pela Justiça, chamado Daniel Vinã. A decisão gerou uma forte onda de os protestos nas ruas, que levaram o rei a retirar a absolvição e visitar as famílias das vítimas, um ato inédito no Marrocos até então.

No país ocorreram outros casos, como o suicídio de uma adolescente de 17 anos em 2016, logo após os seus oito estupradores serem libertados.

No ano passado, a divulgação de um vídeo que mostrava uma portadora de deficiência sendo violentada em um ônibus suscitou uma manifestação pelo fortalecimento das leis contra o abuso no país.

Manifestação em solidariedade

Após mais um caso de abuso envolvendo jovens a ONG marroquina de combate à pedofilia e violência da mulher divulgou uma nota em solidariedade. "Nos solidarizamos com as garotas e com seus entes queridos e denunciaremos os estupros dessas meninas cometidos por este ímã, que parece estar habituado em violentar sexualmente das menores", disse a Não Toque no Meu Filho.

A ONG ainda solicitou pena máxima para o acusado, caso os abusos sejam devidamente comprovados.

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