Para alguns, tratava-se de mais um jogo de cena vinda da Coreia do Norte em restabelecer o diálogo com a Coreia do Sul. O que por detrás se especula é um possível ganho de tempo do país comunista em fazer valer suas pretensões e objetivos misteriosos.

Outros pensam que nada ou pouco mudará, numa atitude de desconfiança e pessimismo. Porém, tanto um lado quanto o outro obtiveram, em parte, suas respostas depois do balanço do encontro entre o ditador Kim Jong-un e seu companheiro de fronteira ao Sul, o presidente Moon Jae-in.

Durante a reunião das duas Coreias, a Zona Desmilitarizada (área neutra implantada por precaução e para separação das nações) se transformou num palco de sorrisos e congraçamento.

Pelo menos, na frente das câmeras, já faz 65 anos que um líder da Coreia do Norte não visitava a Coreia do Sul.

O vilarejo de Panmunjon, local do encontro dos líderes, viu algumas sementes de esperança rumo a um diálogo mais estreito.

Um dos sinais de que os norte-coreanos estão, digamos, mais flexíveis, seria a suspensão de seu programa nuclear dias antes da data oficial do encontro, ocorrido em 27 de abril deste ano.

Sincronismo e convergência

A Coreia do Norte começou com o ajuste de seus relógios ao fuso horário de seus compatriotas do Sul. Explica-se: o regime comunista adotou 30 minutos a mais desde o ano de 2015, em razão dos setenta anos de independência e liberdade diante da dominação japonesa. Portanto, a partir de ontem (05), Pyongyang e Seul marcam as horas de forma idêntica.

Outro gesto (já registrado nos Jogos de Inverno) aconteceu no esporte: as delegações de tênis de mesa se unificaram para competirem juntas o Mundial que se realiza na Suécia. A decisão foi conjunta e teve apoio da Federação Mundial de Tênis de Mesa.

Sinais vêm do início do ano

Parece que os acordos não são privilégios do mês de abril. Em fevereiro, os norte-coreanos entraram em contato com a Organização da Aviação Civil Internacional – vinculada à ONU -, buscando a reativação das linhas aéreas com a Coreia do Sul. Representantes da Organização irão na semana que vem à Coreia do Norte para tratar do assunto.

Com disposição para negociações, estabeleceu-se no encontro, a instauração de um escritório de informações dos dois países em uma cidade fronteiriça, Kaesong. O intuito é garantir e mostrar o tráfego e a transparência de informações de ambos os lados. Se o projeto der certo, haverá a expansão de mais filiais nas respectivas capitais norte e sul-coreana.

Seul fazendo sua parte

É um equívoco pensar que somente a Coreia do Norte trabalhou mais na busca de soluções.

A Coreia do Sul suspendeu o tom e as críticas que fazia ao regime ditatorial de Kim Jong-un, mas há de se lembrar que o líder do Norte é acusado de perseguição a opositores do regime.

Mais e mais

Decidir uma possível parada ou abandono dos testes nucleares parece prematuro e longe de se resolver ainda este ano. No entanto, Kim Jong-un deu o primeiro passo. Os americanos querem mais do que isso. Buscam a extinção dos testes de mísseis e armamentos nucleares.

Há informações de que a Coreia do Norte teria libertado três prisioneiros dos Estados Unidos [VIDEO]. Eles foram transferidos de campos de trabalho forçados para um hotel. Não deixa de ser uma manobra para agradar a Donald Trump e seus correligionários. Por sua vez, o polêmico presidente americano já disse haver uma data marcada para se reunir com Kim Jong-un, mas não revelou qual seria essa data.

Expectativa

Uma das maiores torcidas do mundo é que tanto Seul quanto Pyongyang assinem um acordo formal e oficial celebrando a paz na península. É que entre os anos de 1950 e 1953, aconteceu a Guerra da Coreia. Mesmo com o fim da guerra em termos práticos, houve a assinatura de um armistício, significando, do ponto de vista diplomático, um abandono às armas e à beligerância – um cessar-fogo. No entanto, desde 1953 até os dias atuais, tecnicamente as Coreias do Norte e do Sul ainda brigam. Tanto Moon Jae-in quanto Kim Jong-un acenaram com a possibilidade real de um acordo de paz. É ver para crer: fecha-se um dos últimos capítulos da Guerra Fria ou a ruptura definitiva e a hostilidade [VIDEO] se instalam na península da Coreia.