Um caso está sendo notícia e gerando muita polêmica no mundo todo. Uma jovem sudanesa foi condenada à morte por enforcamento por ter matado o marido que a violentou sexualmente.

O Sudão, que é um pequeno país do continente africano, não possui leis que protegem as mulheres, o sistema judiciário é falido. Uma menina de 10 anos de idade pode se casar sem nenhuma autorização de um parente ou um juiz. Por isso, muitos homens compra meninas de famílias mais pobres e se casam com elas sem nenhum problema, aponta a agência de notícias Reuters.

Tudo começou quando a jovem estudante Noura Hussein, de apenas 16 anos, foi obrigada pelos pais a se casar com um primo. Noura fugiu para uma cidade vizinha e morou com outros parentes por três anos.

De acordo com ativistas da Anistia Internacional que estão envolvidos no caso, em março de 2017, o pai da adolescente convenceu a jovem a voltar para casa, dizendo que ela não precisava mais se preocupar com o casamento, pois o assunto já tinha sido encerrado.

Segundo o advogado de Noura, ela foi enganada pelo pai e tudo não passava de um plano para obrigá-la a se casar com o primo.

A jovem foi obrigada a se casar e ir morar com o marido.

Noura Hussein, em sua declaração ao Tribunal de Justiça do Sudão, disse que não quis manter relações sexuais com o marido. Com isso, ele ficou enfurecido e pediu a ajuda de dois primos e do irmão para segurá-la enquanto abusava sexualmente dela.

O advogado da jovem, hoje com 19 anos, relatou que no dia seguinte ao estupro, o marido de Noura tentou violentá-la novamente, puxando seu cabelo e a agredindo fisicamente. Como estavam na cozinha, a jovem conseguiu pegar uma faca e desferiu vários golpes no homem até a morte.

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Polícia

A defesa luta nos tribunais por legítima defesa, enquanto a acusação diz que o crime foi premeditado. O tribunal do Sudão condenou a jovem Nora Hussein por homicídio premeditado e a pena é enforcamento. Os advogados da jovem têm apenas 15 dias para recorrer da sentença.

Mobilização internacional

A condenação por enforcamento de Noura Hussein lançou uma campanha internacional por um pedido de clemência pela jovem. Ativistas sudaneses da Austrália, Estados Unidos e Europa estão fazendo pressão a favor da jovem.

Pedidos de vários grupos de apoio a mulheres já foram enviados para a Organização das Nações Unidas (ONU), para que intervenha no caso, pedindo a liberdade da jovem, que agiu apenas para se defender.

Um dos fatos mais incríveis de toda esta história e que deixou muitas pessoas revoltadas é que o próprio pai de Noura levou a filha até a Polícia, dizendo que ela era uma verdadeira vergonha para a família e que merecia se apedrejada até a morte.

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