A Espanha tem um novo líder político. Após votação realizada nesta sexta-feira, dia 1º, a Câmara dos Deputados do país europeu aprovou a moção de censura contra o governo do primeiro-ministro conservador Mariano Rajoy, que acabou destituído do cargo. O líder socialista Pedro Sánchez, de 46 anos, será o novo ocupante do cargo. A posse do novo premiê ocorerrá após a indicação do rei Felipe VI, que também receberá a renúncia oficial do governo de Rajoy. As informações foram veiculadas pelo portal G1 e por agências de notícias internacionais.

A decisão para que Rajoy deixasse o cargo de primeiro-ministro foi sacramentada com uma votação de 180 votos a favor da moção de censura, 169 contra e uma abstenção.

Ainda antes do início da votação, Rajoy demonstrou pessimismo sobre o caso, afirmando acreditar que a moção de censura seria aprovada e que Sánchez seria o novo premiê do país. Apesar do abatimento pela queda, Rajoy disse antes da votação que iria felicitar o novo líder político espanhol, o que cumpriu com um aperto de mão após o fim da votação.

"Foi uma honra ser o chefe de governo e deixar uma Espanha melhor do que encontrei”, declarou Rajoy em seu perfil oficial no Twitter. O ex-primeiro-ministro aproveitou para agradecer sua legenda, o Partido Popular, e desejou “sorte a todos, pelo bem da Espanha”. Com 63 anos de idade, Rajoy assumiu o cargo em dezembro de 2011, substituindo o socialista José Luis Rodríguez Zapatero.

O conservador deixa o cargo após denúncias de corrupção abalarem seu partido.

O Partido Popular (PP) entrou na mira da Justiça espanhola em 2009, quando foi descoberto um esquema de caixa dois dentro da legenda. O escândalo ficou conhecido como “caso Gürtel”. Na semana passada, o PP foi condenado a pagar uma multa de € 250 milhões pelos esquemas. Apesar de não ter sido diretamente envolvido nas denúncias, Rajoy teve sua imagem desgastada no cenário eleitoral espanhol, o que culminoiu com sua destituição do cargo nesta sexta-feira.

Novo primeiro-ministro, Sánchez precisará enfrentar Congresso com minoria

Também pelo Twitter, o novo primeiro-ministro, Pedro Sánchez, celebrou sua ascenção ao cargo. "A Democracia na Espanha abre uma nova página. Uma etapa para recuperar a dignidade das instituições”, escreveu o novo premiê. “É o momento de trabalhar pela igualdade, construir um país que não deixa ninguém no caminho", completou Sánchez.

O novo primeiro-ministro chega ao cargo com apoio de grupos que faziam forte oposição à Rajoy, como os partidos independistas e nacionalistas do País Basco e da Catalunha, conhecidos por seu explícito desejo de declarar independência da Espanha [VIDEO].

Outras legendas progressistas e do campo de esquerda, como o Podemos, também formam a base de apoio de Sánchez.

O novo premiê também afirmou que quer manter diálogos com a Catalunha, e que deve remover a tutela imposta à região em outubro do ano passado, quando uma crise diplomática foi deflagrada após uma votação de independência unilateral ter sido aprovada pelos eleitores locais. “Este governo quer que a Catalunha esteja na Espanha e escutará a Catalunha", disse o primeiro-ministro, cuja posse deve ser oficializada já neste sábado, dia 2.

Com minoria política no Congresso, com apenas 84 das 350 cadeiras que constitutem o Parlamento espanhol, Sánchez admitiu que terá dificuldades para governar, e que precisará costurar alianças e relações com os mais diversos partidos. Destituído do cargo, Mariano Rajoy classificou a base de apoio de seu sucessor como "coalização Frankenstein". O novo primeiro-ministro encara uma Espanha com sua maior crise política em quatro décadas, a mais greve de sua era democrática, que começou após o fim do regime ditatorial de Francisco Franco.