Depois de uma calorosa votação, que durou mais de 20 horas, a Câmara dos Deputados da Argentina aprovou, na manhã de 14 de junho de 2018, o projeto de lei que legaliza o aborto.

Com resultado de 129 votos a favor e 125 votos contra, os parlamentares decidiram favoravelmente a lei que permite que a Mulher possa interromper sua gestação, desde que tal procedimento ocorra até a 14ª semana de gravidez.

Milhares de pessoas que acompanham a votação, especialmente ativistas dos direitos das mulheres em decidir sobre interromper ou não uma gravidez, comemoram a decisão.

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Em frente ao Congresso Argentino, as pessoas aplaudiram a decisão dos deputados, se abraçaram e muitos afirmam ser este um grande avanço para o país.

Porém, o projeto de lei ainda precisa passar pelo crivo do Senado, antes de possa entrar em vigor. De acordo com a imprensa internacional, mais senadores se pronunciaram contra o a legalização do aborto, do que a seu favor.

Argentinos ficaram divididos sobre a legalização do aborto

Permitir ou não que as mulheres possam interromper a gestação dividiu a sociedade argentina.

Fortemente influenciada por questões religiosas, uma parcela do país se posiciona fortemente contra a questão.

Após a decisão, o parlamentar argentino Sebastian Bragagnolo, disse que "uma mulher não tem Direito ao aborto, ela tem direito à saúde. O feto é biologicamente e cientificamente um ser humano". Já Mayra Mendoza, parlamentar do Partido da Vitória, descreveu a aprovação como "uma vitória da democracia".

A Igreja Católica, que ainda é considera uma forte instituição na Argentina, fez uma campanha ferrenha contra o projeto.

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Até mesmo o Para Francisco, que é argentino, se pronunciou sobre a questão, enviando cartas aos bispos argentinos pedindo-lhes que "defendam a vida e a justiça".

Apesar disso, antes da votação, muitos deputados afirmaram em entrevistas que colocariam suas convicções religiosas de lado para avaliar o projeto.

Como na maioria dos países da América Latina, o aborto é ilegal na Argentina, no entanto, dados oficiais do Ministério da Saúde do país afirma que 17% das mortes de mulheres grávidas no país foram em decorrência de aborto.

ONGs e entidades argentinas afirmam que aproximadamente 500 mil abortos clandestinos são realizados anualmente. Com a aprovação do projeto pelo Senado, espera-se que o número de mortes e complicações diminua drasticamente. Na América do Sul, o único país a permitir o aborto de forma irrestrita é o Uruguai.