A legalização do aborto [VIDEO] volta ao centro da discussão, pelo menos na Argentina. A Câmara dos Deputados do país aprovou na manhã desta quinta-feira, dia 14, o projeto que descriminaliza o aborto. A divisão de opiniões entre deputados foi clara no processo de votação do projeto que durou mais de 20 horas. Foram 129 votos a favor, 125 contra e uma abstenção.

Na votação histórica sobre o tema, os argumentos eram que o aborto não se tratava apenas de uma questão de vida, mas sim do direito da mulher. De acordo com a imprensa argentina, os deputados que eram contra ou a favor do projeto tiveram que articular bem suas ideias na tentativa de passar ou barrar o projeto.

A medição de força ficou clara em alguns momentos. A deputada Victoria Donda, do partido Livres del Sur, além de se mostrar enfática ao defender a lei, chegou a pedir ao presidente Macri que se pronunciasse sobre o assunto, o que não aconteceu.

Em outro momento, o deputado Nicolás Massot, que é governista e contra o projeto de lei, chegou a ser acusado de prometer cargos e até verbas para os congressistas que votassem contra o aborto.

O projeto agora segue para aprovação do Senado. Segundo jornalistas argentinos, o presidente Mauricio Macri, que é conhecido pelos atos pró-vida e contra o aborto, disse que a lei não será barrada caso passe pelo congresso nessa nova etapa.

Los hermanos estão divididos sobre o tema

O projeto que legaliza o aborto deixou os argentinos divididos. Essa diferença de opinião estava clara durante os protestos que foram realizados contra e a favor, ao mesmo tempo, na Praça do Congresso e em um trecho da Avenida de Mayo.

Manifestantes a favor da legislação, que foram chamados de "onda verde" durante o encontro no centro de Buenos Aires, gritavam "Aborto seguro, legal e no hospital". Os contrários, nomeados de "onda celeste", questionavam dizendo "Olelé, olalá, se esta não é a vida, a vida onde está?".

O que se sabe agora é que ambos os lados acompanharão a sequência de votação do projeto de lei.

Como funciona a legislação do aborto na Argentina

Atualmente, segundo a legislação do aborto no país, o procedimento só pode ocorrer em três situações específicas: casos de estupro, má formação do feto ou quando a vida da mãe está em risco.

De acordo com entidades do direito da mulher, a Argentina [VIDEO] tem hoje, em média, 50 mil hospitalizações por tentativas de abortos clandestinos. O número de mortes ultrapassa 60.

Outros países que legalizaram o aborto

Enquanto a Argentina discute a questão, outros dois países próximos já legalizaram o aborto, como é o caso do Uruguai e de Cuba. Ambos permitem o procedimento apenas por decisão da mãe, desde que ela esteja com 12 a 14 semanas de gestação.