No início da semana, o Vulcão Fuego, na Guatemala, entrou em erupção e pegou a população que vive em sua proximidade de surpresa. Milhares de pessoas que vivem nas cidades próximas foram retiradas de suas casas e ao menos 192 pessoas, entre adultos, idosos e crianças, estão desaparecidos. De acordo com secretário executivo da Coordenação Nacional de Redução de Desastres da Guatemala, Sergio Cabañas, até o momento foram contabilizadas 75 mortes.

Além da lava, os gases quentes, rochas e cinzas foram responsáveis pela morte trágica de dezenas de habitantes locais. Estradas ficaram bloqueadas pelos detritos, o que está tornando o trabalho das equipes de resgate ainda mais difícil e perigoso.

A CNN conseguiu entrevistar uma mulher que vivia perto do Fuego. Eva Ascón pede para que as autoridades continuem procurando os corpos das vítimas. Seus pais, irmãos, irmãs, seis sobrinhas e sobrinhos estão desaparecidos desde que o vulcão entrou em erupção. "Mesmo que haja apenas pequenos ossos do meu povo, eu os quero [...] Não me restou sequer um membro da minha família", disse ela.

A BBC Internacional também entrevistou vítimas, uma delas, Boris Rodriguez, de 25 anos, perdeu a esposa, os pais, um irmão, a cunhada e os filhos. "Eu vi os corpos das crianças [...] eles estavam amontoados juntos na cama, como se estivessem tentando se esconder do que estava acontecendo", disse o morador chorando, durante entrevista ao repórter da BBC.

Tragédia atinge mais de um milhão de habitantes da Guatemala

Depois que as aldeias e cidades que ficam nas encostas do vulcão foram praticamente enterradas em cinzas vulcânicas e lama, mais de 1,7 milhão de pessoas acabou sendo afetada de alguma forma pela tragédia.

A primeira erupção ocorreu no domingo [VIDEO](03 de junho) e resultou na evacuação de pelo menos 3000 pessoas de suas residências. Na terça-feira (05 de junho) Fuego entrou novamente em erupção, interrompendo o trabalho de resgate e causando ainda mais danos.

De acordo com vulcanologistas, a última erupção foi tão forte que jogou cinzas a 10 quilômetros de altura. Eddy Sanchez, chefe do Instituto Nacional de Sismologia da Guatemala, afirmou que “não há riscos de erupções eminentes nos próximos dias”.

Erupção vulcânica na Guatemala foi repentina

De acordo com as autoridades locais, a erupção vulcânica foi tão repentina que não houve tempo de soar o alarme que alerta a população quando esse tipo de fenômeno natural está para acontecer. Sergio Cabañas acrescentou que os moradores locais receberam treinamento em procedimentos de emergência [VIDEO], mas não foram capazes de implementá-los porque a atividade vulcânica inicial ocorreu muito rapidamente.

A explosão de domingo gerou fluxos piroclásticos - misturas rápidas de gás muito quente e matéria vulcânica - que desceu pelas encostas, englobando comunidades como El Rodeo e San Miguel Los Lotes.